Agronegócio

Justiça decreta falência do Grupo Pelissari e bloqueio de até R$ 45,4 milhões em ativos

Autor: Por Nayara Figueiredo — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
Justiça decreta falência do Grupo Pelissari e bloqueio de até R$ 45,4 milhões em ativos
Foto: Wenderson Araujo/CNA

A Justiça de Mato Grosso decretou, nesta semana, a falência do Grupo Pelissari, formado por produtores rurais com atividades no norte do Estado e passivo de aproximadamente R$ 45 milhões. A decisão, proferida pela 4ª Vara Cível de Sinop, encerra uma recuperação judicial iniciada em janeiro de 2024.

Entre os credores que atuaram no processo estão Maré Fertilizantes, Terra Forte Máquinas e Implementos Agrícolas e Vicente Agro Comercial, representadas pelo Iglesias Advogados. Em comunicado, a defesa destes credores informou que foi determinado o bloqueio de até R$ 45,4 milhões em ativos financeiros do Grupo Pelissari.

A decisão ocorre após sucessivas tentativas de recuperação econômica e questionamentos de credores sobre a capacidade do grupo de cumprir suas obrigações
, informou o escritório Iglesias, especializado em recuperação de créditos estressados.

Na assembleia realizada em fevereiro de 2025, o plano de recuperação foi rejeitado por credores que representavam 72,37% do valor dos créditos presentes. As alternativas posteriormente apresentadas também não reuniram as condições legais necessárias para viabilizar a continuidade do processo recuperacional.

Agora, a sentença assinada pela juíza Giovana Pasqual de Mello, determinou também a lacração de estabelecimentos rurais, incluindo as fazendas Tapaiuna I e II, em Nova Canaã do Norte (MT), além da arrecadação e avaliação de máquinas, implementos agrícolas, estoques, produtos, veículos e outros bens.

A decisão judicial também estabelece pesquisas patrimoniais, levantamento de informações financeiras e fiscais e a elaboração de relatório sobre as circunstâncias que levaram à falência, com apuração de eventuais responsabilidades civis e penais.

Segundo a advogada Rebecca Scheidt, sócia do escritório Iglesias, a falência permitirá aprofundar o levantamento das movimentações financeiras e dos bens dos produtores rurais, com o objetivo de resguardar os direitos da coletividade de credores.

A recuperação judicial pressupõe a existência de condições efetivas para o soerguimento da atividade econômica. Quando essas condições não se confirmam e as alternativas legais se esgotam, a falência passa a oferecer os instrumentos necessários para a identificação e preservação do patrimônio
, afirmou Scheidt à reportagem.

O desafio agora é assegurar que todos os ativos sejam corretamente identificados, que as movimentações patrimoniais sejam examinadas e que os direitos dos credores sejam observados de acordo com a legislação
, acrescentou.

Segundo os relatórios citados na decisão judicial, o faturamento consolidado do grupo caiu de aproximadamente R$ 1,45 milhão, em janeiro de 2026, para apenas R$ 54,2 mil em abril.