Lideranças do agro defendem que seguro rural seja nova marca da próxima gestão
Em meio aos movimentos para sucessão no Ministério da Agricultura, lideranças do setor agropecuário levaram à cúpula do governo federal a necessidade de buscar uma "nova marca" para a Pasta na próxima gestão. Uma das sugestões apresentadas é focar no fortalecimento do seguro rural.
A estratégia é aproveitar a sanção da nova lei (15.526/2026), que protege o orçamento da política de gestão de riscos climáticos de cortes e bloqueios, e dar destaque às ações nessa área, ainda mais diante da intensificação de eventos adversos no campo em decorrência do El Niño. A nova bandeira do Ministério da Agricultura miraria a garantia da produção e da renda do produtor brasileiro e a contribuição para a segurança alimentar interna e externa por meio de um seguro rural robusto.
Se a pauta vingar, o governo atenderia a uma demanda histórica do agronegócio, que ainda se mantém avesso à gestão petista, e esvaziaria, em parte, a agenda da oposição em Brasília, avalia uma fonte. O movimento ainda beneficiaria o Executivo na tentativa de reaproximação com o setor. As ideias têm sido levadas ao vice-presidente, Geraldo Alckmin, que tem boa interlocução com o campo, e ao ministro da Agricultura, André de Paula, que tem chances de permanecer no cargo em 2027 a depender da costura política que será feita com o PSD.
Desde 2023, o Ministério da Agricultura investiu na pauta das aberturas de mercado internacionais para produtos do agronegócio. Foram mais de 700 anúncios no período. A marca fez sucesso e caiu nas graças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que citou o dado no último debate presidencial da TV Globo antes do segundo turno das eleições presidenciais.
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A avaliação de líderes do setor mais próximos da atual gestão, compartilhada com o governo nas últimas semanas, é a de que a retomada do espaço do agronegócio brasileiro no mercado externo já ocorreu e está "consolidada". Consequentemente, o ritmo de novas aberturas deve cair nos próximos anos. Por isso, seria necessário mudar o discurso e encontrar um novo símbolo, que tenha peso político e reflita positivamente na imagem da Pasta como foi a agenda internacional nesse período.
A modernização e o fortalecimento do seguro rural estão no topo das prioridades de entidades de produtores e da bancada ruralista no Congresso Nacional. A política enfrenta mais um ano de dificuldades, com o contingenciamento de quase metade da verba inicial aprovada. Dos R$ 1,01 bilhão destinados à subvenção federal de apólices de agricultores, R$ 461,7 milhões seguem bloqueados a menos de dois meses do fim do ano.
A previsão de recursos para 2027 é de R$ 1,2 bilhão. Uma sugestão levada ao governo foi aumentar a verba para R$ 2 bilhões e garantir incrementos graduais ao longo dos próximos quatro anos. O Ministério do Planejamento e Orçamento ainda costura uma maneira de abrir espaço orçamentário para acomodar a nova despesa obrigatória com o seguro rural no ano que vem em meio à necessidade de cortar gastos.
Em outra frente, o setor exportador sugeriu ao governo a criação de uma secretaria específica para temas relacionados à agroindústria. A ideia é que a estrutura seja vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Segundo uma pessoa familiarizada com o tema, a sugestão pode prosperar.
Defensores da proposta apontam que há conflitos no Ministério da Agricultura em alguns temas, já que o foco da Pasta é a produção primária, ou seja, a atividade de agricultores e pecuaristas, e não da agroindústria. A nova secretaria poderia atuar em assuntos específicos de interesse de frigoríficos, laticínios, algodoeiras, empresas de máquinas e insumos, por exemplo.
Uma fonte lembrou que segmentos específicos do universo do agronegócio já têm secretarias em outros ministérios. É o caso dos biocombustíveis, em Minas e Energia. Ela observou ainda que a primeira missão da Nova Indústria Brasil (NIB), política pública de neoindustrialização lançada em 2024 pelo governo federal, é o desenvolvimento das
cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais para a segurança alimentar, nutricional e energética.
No Ministério da Agricultura, a atuação relacionada ao setor agroindustrial está centrada no registro e na inspeção sanitária de empresas e no desenvolvimento de programas de sustentabilidade e rastreabilidade para comprovação de conformidade ambiental e de sanidade da produção. Procurados, o Ministério da Agricultura, o MDIC e a vice-presidência da República não responderam até o fechamento desta edição.