Mais de 70% das mulheres relegam a administração financeira do negócio para homens
Um levantamento feito pela Rede Mulher Empreendedora junto a mais de 2,2 milhões de profissionais acompanhadas pela iniciativa aponta que cerca de 80% delas ainda relegam a administração financeira do negócio para homens. O dado foi apresentado pela fundadora da Rede, Ana Fontes, durante participação do evento Agro é Delas organizado pela Globo Rural nesta terça-feira em São Paulo.
É uma coisa maluca e que não tem a ver com capacidade, todas nós somos extremamente capazes. Isso é uma construção social, destacou Fontes. Segundo ela, o cenário tem consequências "absolutamente ruins" para os negócios, inclusive com casos atendidos pela Rede que revelaram fraude na gestão financeira realizada por parceiros e parentes.
A maioria dos negócios fecham porque não tem uma boa gestão financeira. Então, se vocês não tiverem uma boa organização financeira, por melhor que seja o seu negócio, ele não vai funcionar, completou Fontes.
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A fundadora da Rede Mulher Empreendedora ressaltou ainda que existe uma barreira cultural entre mulheres e gestão financeira.
Desde cedo a gente é ensinada que o dinheiro não é nosso território, é masculino, lembrou a jornalista ao reforçar a necessidade de vencer essa barreira e de articular-se com outras mulheres.
Fontes lembrou, por exemplo, que já pensou em desistir do seu trabalho com empreendedorismo inúmeras vezes, mas que sempre encontrou força e impulso no contato com outras mulheres.
A gente precisa ocupar espaço, mostrar que existimos. Nos espaços que são majoritariamente masculinos, vocês precisam se mostrar e serem mais vocais. Sei que muitas não gostam de falar, mas vocês precisam ser mais vocais, reforçou Fontes.
A diretora de redação do Valor Econômico também esteve presente no evento. Durante a abertura, Maria Fernanda Delmas destacou que 40% dos tomadores de decisão do agronegócio são mulheres, segundo dados da Associação Brasileira do Agronegócios (Abag) e enfatizou a importância do encontro organizado pela Globo Rural no ano em que a ONU a FAO declararam como o ano da mulher na agricultura.
Essa reflexão é importante e joga luz sobre estudos sobre equidade de gênero, mercado de trabalho, oportunidades e permite que promovamos debates profundos sobre o tema. Ainda temos uma longa jornada pela frente, mas as mulheres presentes aqui hoje são pioneiras e vão inspirar e abrir caminho para as próximas gerações, concluiu Delmas.