Malásia reduz embargo por Newcastle apenas para Santa Catarina
A Malásia reduziu as restrições às exportações de carnes de aves e produtos avícolas brasileiros. O país decidiu regionalizar o embargo apenas ao Estado de Santa Catarina, onde quatro focos da Doença de Newcastle foram identificados desde 18 de outubro. Antes, os malaios haviam bloqueado as vendas de todo o Brasil.
Como México também havia regionalizado o impacto das restrições, apenas o Uruguai mantém embargo a todo o território brasileiro neste momento. O setor exportador e representantes do Ministério da Agricultura têm vai conversado com autoridades uruguaias para que façam o mesmo movimento. A China, principal cliente do setor, adotou o embargo focado nas empresas catarinenses desde a confirmação do primeiro foco.
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou à reportagem que a regionalização do embargo pelos principais importadores é um "marco" para o país, resultado da atuação coordenada do governo e do setor com os importadores.
Há confiança no sistema do Brasil e no setor para continuar a ser o maior provedor de carne de frango do mundo. Hoje falta só Uruguai [regionalizar], disse durante evento da Globo Rural em São Paulo.
Ele informou que o diretor de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Marcos Vinícius de Santana, conversou com autoridades do Uruguai durante a 28ª Conferência da Comissão Regional da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) para as Américas, realizada nesta semana em Assunção, no Paraguai.
Segundo Santin, o Uruguai manifestou informalmente que se recebesse respostas satisfatórias aos questionamentos sobre o caso enviados ao Brasil também regionalizariam.
Esse é um grande marco porque em menos de 30 dias o Brasil não terá nenhum país fechado para o país inteiro. Hoje só tem um, demonstrando a confiança no setor e nas empresas, completou.
Santin reforçou a importância do trabalho feito pelas adidâncias agrícolas na transmissão das informações sobre os casos registrados até agora. Ele ressaltou que o Brasil "não tem a doença" de Newcastle em si, mas que os exames laboratoriais detectaram a presença de um traço do vírus de pombo em perus. Nos focos registrados até agora, as aves não têm sintomas, por exemplo.
Isso precisava ser levado diretamente aos importadores e o foi. Muito rapidamente o Ministério da Agricultura e o Ministério das Relações Exteriores levaram essas informações e temos o resultado disso hoje, completou.
Santin ressaltou que a regionalização das restrições à avicultura brasileira ajudou a reduzir as perdas em função dos casos de doença de Newcastle em Santa Catarina. Segundo ele, o foco registrado em Anta Gorda (RS) em 2024 gerou perda de produção de 163 mil toneladas, o equivalente a US$ 300 milhões. Neste ano, o cálculo até momento aponta perda de 21 mil toneladas, em um valor de US$ 50 milhões.
Em nota, o Ministério da Agricultura afirmou que houve
avanços nas tratativas com o Uruguai para o reconhecimento da regionalização sanitária. Segundo a Pasta, foram encaminhadas
informações técnicas atualizadas sobre o controle do surto e aguarda uma resposta.
As delegações presentes na reunião no Paraguai e a representação da OMSA elogiaram a postura brasileira, relatou o ministério.
Para elas, o caso é um exemplo claro de zoneamento e regionalização bem aplicados e de confiança entre parceiros comerciais, aponta o comunicado. O Brasil se ofereceu para compartilhar com a OMSA a experiência e o conhecimento científico obtidos, contribuindo para aperfeiçoar as normas internacionais, completou.