Agronegócio

MBRF espera reforçar presença internacional na Sial Paris

Autor: Por Raphael Salomão — Paris (França)* Publicado em: Fonte: Globo Rural
MBRF espera reforçar presença internacional na Sial Paris
Foto: Divulgação

A MBRF está otimista com os negócios durante o Sial Paris, que começou no sábado (17/10), na capital francesa. O vice-presidente de Mercados Internacionais e Supply Chain, Leonardo Dall'Orto, destacou que os primeiros momentos da feira já indicaram uma boa movimentação de potenciais clientes de diversas regiões do mundo.

Ele conversou com a reportagem em um dos espaços da empresa na feira. Ressaltou que a feira atrai compradores da Europa e de todas as demais regiões do mundo e que o evento possibilita reencontrar clientes com quem a empresa já tem uma relação e negociar com novos compradores.

As expectativas são as melhores possíveis. Estamos falando de uma das maiores feiras de alimentos do mundo. E o que a gente planta aqui, vai colhendo. Acabamos abrindo portas para negócios futuros
, disse Dall'Orto.

A MBRF participa do Sial Paris nos estandes da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carnes (Abiec). A estratégia é reforçar a presença internacional "multiproteína", nas carnes bovina, de frango e suína.

Dall'Orto explicou que essa forma de atuação possibilita oferecer uma solução mais completa aos compradores e, de outro lado, reduzir efeitos de flutuações em cada segmento.

Você pode ter um momento melhor numa proteína e pior na outra. Quando você tem as três, consegue ter um equilíbrio muito melhor. No momento, está muito equilibrado. Há uma oferta um pouco menor da carne bovina. Mas tem o suíno e o frango nesse balanceamento
, disse.

No segundo trimestre de 2026, 77% da receita líquida da MBRF, de R$ 40,72 bilhões, vieram de outros países. Os Estados Unidos lideraram (45% do total), seguidos por Ásia (13%) e Oriente Médio (7% da receita).

Na divisão por segmento do portfólio, os produtos processados tiveram maior participação, de 39%. Carnes de aves e suínos in natura responderam por 31% e a carne bovina in natura, por 30%.

Nos últimos 12 meses encerrados em junho deste ano, a companhia chegou a 2,719 mil toneladas de produtos vendidos no mercado internacional, 15% a mais do que em 2023, quando iniciou a estratégia de diversificação de mercados. Desde 2022, foram mais de 300 novas habilitações de exportação. Atualmente, a MBRF tem negócios com 117 países.

Questionado sobre o bloqueio da União Europeia aos produtos de origem animal do Brasil, Dall'Orto disse acreditar que as carnes de aves devem ser liberadas ainda este ano. A expectativa do governo brasileiro é de que as autoridades europeias tomem essa decisão em novembro.

Ele pontuou, no entanto, que manter a diversificação de mercados é estratégica para reduzir efeitos negativos de restrições em alguma região do mundo. A MBRF mantém operações na América do Sul, Estados Unidos, Oriente Médio, Turquia e na China.

O executivo também destacou à reportagem que a companhia conseguiu manter o abastecimento do Oriente Médio, em meio à guerra na região. As restrições de navegação pelo Estreito de Ormuz, no Irã, demandaram, porém, adaptações na logística de exportação.

Tivemos reuniões com armadores e encontramos rotas alternativas. Estamos na região há mais de 50 anos. Então, conhecemos as rotas, os portos. E há uma estrutura logística local que nos ajudou muito
, pontuou.

Em 2027, a companhia inicia as operações de uma fábrica de produtos industrializados na Arábia Saudita, seu principal mercado na região. A unidade vai atuar sob a marca Sadia Halal, de produtos certificados de acordo com os preceitos e tradições da religião islâmica.

Na China, onde a MBRF comprou uma fábrica, a operação local está ativa há um ano, com 80% da capacidade instalada, disse o executivo.

Neste ano, o governo chinês impôs uma cota de importação de carne bovina brasileira, de 1,1 milhão de toneladas. O volume foi totalmente atendido. A cota com tarifa reduzida será reaberta a partir de janeiro de 2027. A expectativa de retomada dessas vendas é vista como um dos fatores de impulso aos preços do boi gordo no mercado brasileiro.

O indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta uma alta de 4,5% na arroba neste mês até a sexta-feira (16/10), quando a referência foi de R$ 380,70 a arroba. O vice-presidente de Mercados Internacionais e Supply Chain da MBRF explicou que a estrutura operacional na América do Sul permite à empresa manter o abastecimento do mercado chinês de forma competitiva.

Pensando, especificamente, na fábrica de lá [China], temos o abastecimento prioritário no Brasil, mas temos também fábricas no Uruguai e na Argentina. Então, a gente consegue ser competitivo e abastecer bem o mercado
, disse.

*O jornalista viajou a convite da Apex Brasil