Ministro da Agricultura diz confiar em resultados positivos do agro
Apesar do cenário "desafiador" no campo, com a alta da inadimplência e do endividamento dos produtores e os possíveis efeitos negativos do El Niño nesta safra 2026/27, o ministro da Agricultura, André de Paula, diz confiar em resultados positivos na produção e na exportação do setor agropecuário. Ele admite que a situação atual exige cautela e pode gerar impactos nos preços dos alimentos, mas diz que o agronegócio vai crescer ainda mais.
O crescimento do agro brasileiro, não há crise que consiga segurar. Nós estamos em um momento que o motor está girando, não tem freio. Eu sou otimista, afirmou, em entrevista exclusiva ao Valor.
O ministro ponderou que "os desafios são grandes", mas destacou a "capacidade" do setor de superar essas dificuldades. Ele salientou que momentos assim precedem uma "reação" no setor. "Torcemos para que isso aconteça o mais rapidamente possível", disse.
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Recentemente, executivos de bancos privados e analistas de mercado passaram a prever uma retomada no desembolso de crédito rural, que está aquém da safra passada, e na recuperação de margem dos produtores com o movimento de alta nos preços das commodities. O ministro ressaltou que alguns segmentos estão bem.
Baseado nas primeiras projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que indicam colheita de 366 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2026/27, André de Paula refutou a possibilidade de recuo na área plantada e na produção, mesmo com a incidência do El Niño. Se confirmada, a perspectiva é de adicionar 6 milhões de toneladas ao resultado de 2025/26.
Muitos produtores têm endividamento, têm dificuldade, mas eu tenho certeza de que nós vamos avançar e vamos seguir vencendo esses desafios. O caminho do agro é avançar, disse.
Uma das metas do ministro é conseguir a liberação dos recursos do seguro rural para tentar amenizar possíveis impactos do El Niño na produção e nos preços dos alimentos no próximo ano.
É quase impossível não haver impacto, mas trabalhamos para que ele seja o menor possível, relatou.
As perspectivas, em geral, ainda são positivas devido a um conjunto de fatores que influenciam no resultado final do setor, disse o ministro. Um deles é a garantia de fornecimento de fertilizantes. Recentemente, o Marrocos anunciou o envio de 3,8 milhões de toneladas e a China mais 1,1 milhão de toneladas de fosfatados para o Brasil neste ano. O volume praticamente supre o déficit projetado pelo governo de 5,1 milhões de toneladas do insumo para esta safra.
As aberturas de mercado também colaboram para isso. Desde o início de 2023, foram obtidas 695 autorizações para vendas de produtos agropecuários para diversos destinos.
Na próxima semana, bateremos a meta dos 700 novos mercados, disse o ministro.
Tenho certeza de que nós vamos avançar e vamos seguir vencendo esses desafios. O caminho do agro é avançar"
Na visão do ministro, os conflitos internacionais evidenciam a importância do Brasil como fornecedor confiável de alimentos.
O horizonte do agro brasileiro não é um horizonte muito positivo apenas pela capacidade, pela competência, pela modernização, por tudo que tem ocorrido no campo brasileiro. É também porque o mundo precisa do Brasil, disse.
Um dos exemplos citados na conversa foi a abertura de cota de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelos Estados Unidos, com isenção da tarifa de 26,4%.
Ele [presidente americano Donald Trump] não está fazendo isso porque ele é bonzinho. Ele está fazendo porque precisa, está com problema interno no país, e isso beneficia diretamente o Brasil porque nós somos o único país que temos capacidade de fornecer nessas condições de forma imediata, completou.