Agronegócio

Mulheres representam 40% dos cargos de decisão nas fazendas, diz pesquisa

Autor: Por Luiz Eduardo Minervino — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
Mulheres representam 40% dos cargos de decisão nas fazendas, diz pesquisa
Foto: Thinkstock

As mulheres representam 40% dos 10,7 milhões de produtores rurais considerados decisores no Brasil, segundo um estudo divulgado nesta sexta-feira (2/10) pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF).

O levantamento, realizado com participação da Serasa Experian e da Fran6 Pesquisa, aponta avanço da presença feminina na propriedade e na gestão dos negócios rurais na última década. Entre as entrevistadas na etapa quantitativa, 91% afirmaram ser proprietárias, total ou parcialmente, do empreendimento rural, 10 pontos percentuais acima do registrado há dez anos.

O aumento da participação na gestão foi acompanhado pela elevação da escolaridade. A parcela de gestoras com pós-graduação passou de 24%, em 2015, para 46%, em 2026. Atualmente, 77% das entrevistadas têm ensino superior completo.

A pesquisa também aponta maior uso de tecnologias nas propriedades. Drones, telemetria, sistemas de gestão e outras ferramentas digitais fazem parte da rotina de 71% das gestoras, que declararam utilizá-las de maneira independente ou parcialmente independente.

Nos dados de crédito analisados pela Serasa Experian, as produtoras rurais apresentaram taxas de inadimplência inferiores às registradas entre os homens. Entre as grandes proprietárias, a taxa foi de 6,85%. Na Região Sul, a inadimplência entre mulheres ficou em 5,4%.

O estudo também cruzou informações de conformidade ambiental do Cadastro Ambiental Rural (CAR), desmatamento e registros de trabalho análogo à escravidão. Segundo o levantamento, 77% das ocorrências relacionadas a trabalho escravo e 67% dos registros de desmatamento identificados pelo Prodes estavam associados a CPFs masculinos. Entre mulheres, as participações foram de 5% e 20%, respectivamente.

Além da análise de bases nacionais, a pesquisa incluiu uma etapa qualitativa com 25 entrevistas em profundidade com produtoras, pecuaristas e representantes da agroindústria de diferentes regiões do país. Entre os desafios citados estão barreiras culturais, dupla jornada e a necessidade de redes de apoio.