Agronegócio

Os desafios do agro no quarto mandato de Lula

Autor: Por Luís Rua Publicado em: Fonte: Globo Rural
Os desafios do agro no quarto mandato de Lula
Foto: Globo Rural

Passada a contabilização dos votos na noite de domingo que elegeu o presidente Lula para os próximos quatro anos, o agro lembrou logo neste início de semana que a vida continua nas fazendas e nas agroindústrias.

Isto significa que, independentemente de quem ganhasse o pleito, pela madrugada as vacas teriam que ser ordenhadas, as roças cuidadas e os turnos nos frigoríficos começariam exatamente no mesmo horário da semana passada.

Dizem que o agro não para. E não para mesmo. E, seja qual for a cor política, o agro merece respeito por tudo que representa para nosso país. Comida não tem ideologia. Comida tem tecnologia, produtividade e gente vocacionada por trás. E produzir alimentos, fibra e energia gera renda, empregos e dólares para o Brasil.

De maneira geral, o agro entrega muito mais ao país do que recebe. E que bom que seja assim, de certa forma. Mostra pujança e resiliência, para dizer o mínimo. O agro brasileiro é reconhecido mundialmente pela capacidade de produzir para brasileiros e para um monte de gente mundo afora, com subsídios muito abaixo da média mundial.

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Considerando a fala do presidente Lula de que ouviria muito mais os setores da sociedade, lanço aqui alguns pontos que entendo serem clamores do agro para continuar sendo a joia da coroa da nossa economia:

Completa remodelação do seguro rural, para aumentar a base de usuários - hoje praticamente insignificante - e também o formato de contratação e garantias. Projetos tramitam sobre a temática, mas é fundamental que o Governo entenda que, sem seguro rural decente e inclusivo em um mundo cada vez mais incerto, a concentração será ainda maior e só os extremamente capitalizados sobreviverão;

Ajustes no Plano Safra, para que efetivamente quem precisa tomar o crédito consiga acessá-lo. Por razões de mercado e pelo histórico número de recuperações judiciais, há crescente crise de confiança. Aliás, avançar na renegociação das dívidas é fundamental para a continuidade das atividades;

Modernizar os processos de fiscalização, avançando ainda mais em sistemas de informação e análise de risco, permitindo a alocação eficiente de servidores. Nesse sentido, convocar novos auditores fiscais federais agropecuários se soma a esse esforço, além de reajustes salariais condizentes com a realidade atual. Um país que exporta mais de 170 bilhões de dólares PRECISA ter um sistema ainda mais robusto, organizado e que remunere decentemente seus guardiões de sanidade e inocuidade;

Ampliar ainda mais os esforços para novas aberturas e ampliações de mercados. Para isso, trabalhar agressivamente em questões como regionalização de enfermidades e reconhecimentos de áreas livres. Participei, quando Secretário, da abertura de 408 mercados. Dá para fazer mais. Precisamos gastar sola de sapato e ir para os mercados para discutir aberturas recíprocas. Ir para discutir apenas cooperação é perda de tempo e de dinheiro do contribuinte;

Pensar, conforme sempre me disse o ministro Roberto Rodrigues, sobre o que queremos ser em 2050 (logo aí). Tem muita gente competente no Mapa que pode (em conjunto com as universidades, o COSAG da FIESP, a FPA, o IPA, as entidades, etc.) traçar o que vamos ser, independentemente do governo de turno. Aqui, precisamos aprender com os chineses a planejar e a cumprir o que planejamos.

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Para tudo isso, precisamos de um Ministério da Agricultura do mesmo tamanho que é o nosso agro. A Fazenda precisa entender que investir na fazenda (perdoe-se o trocadilho) gera resultados exponenciais para toda a economia brasileira. Não se está pedindo favores, apenas tratamento condizente.

O agro é muito importante para ser moeda de troca. É hora de sermos mais ouvidos, pelo bem do Brasil e dos brasileiros.

*Luís Rua, especialista em agronegócios e ex-secretário do Ministério da Agricultura

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