Ourofino se prepara para ingressar na Argentina e no Uruguai
A Ourofino Saúde Animal, maior indústria farmacêutica veterinária brasileira, traçou um plano para expandir suas vendas fora do país, mirando ampliar sua presença na América do Sul. A empresa, que teve 11% de sua receita líquida do primeiro semestre oriunda de operações internacionais, prepara sua entrada na Argentina e no Uruguai, e planeja fortalecer sua atuação no Paraguai até 2030.
Para apoiar seu crescimento no front internacional, a companhia planeja investimentos anuais de R$ 80 milhões em pesquisa e desenvolvimento e destinar aproximadamente R$ 30 milhões para atualizar e ampliar a capacidade de sua estrutura industrial ainda neste ano no Brasil.
Argentina, Uruguai e Paraguai são países muito importantes na produção de proteína animal, têm rebanhos muito fortes. Óbvio que têm um mercado extremamente competitivo, mas nós vamos ganhar o nosso espaço, afirmou o CEO, Kleber Gomes, ao Valor.
O objetivo, segundo Gomes, é alcançar a liderança nesses mercados, mas ele não revelou qual a meta de participação de mercado nos primeiros anos.
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No México e na Colômbia, a Ourofino já tem equipe própria. Na Argentina e no Uruguai, a empresa atua apenas na seleção de produtos e nos processos de registro para comercialização. O plano é focar em atividades de marketing, vendas e suporte técnico nesses países, sem grandes investimentos. No Paraguai, onde a Ourofino atua por meio de um parceiro local, a empresa negocia ampliar a oferta de produtos e a área de atuação.
A empresa levará a esses países um portfólio que contempla principalmente os antiparasitários, ramo em que a Ourofino é uma das líderes no Brasil. A pecuária bovina na Argentina e no Uruguai trabalha mais com raças europeias, mais suscetíveis ao carrapato -- diferentemente do zebuíno, que predomina no rebanho brasileiro.
Argentina e Uruguai têm rebanhos muito importantes, são países exportadores, usam muita tecnologia e têm produções muito intensificadas, disse.
Além da América do Sul, a Ourofino vê possibilidade de avançar também na Ásia. Gomes disse que multinacionais estão procurando-o para levar vacinas para suínos ao continente.
Pode ser um outro caminho um pouco mais no longo prazo, afirmou.
A Ourofino pretende manter sua taxa de investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) entre 6% a 8% da receita, como neste ano. Em 2025, a empresa investiu R$ 80 milhões em P&D. Neste ano, a empresa também investiu R$ 30 milhões no seu complexo industrial de Cravinhos (SP), que conta com cinco unidades.
Os trabalhos de desenvolvimento são voltados principalmente para produtos voltados à pecuária de clima tropical, como forma de competir com grandes multinacionais.
Ganhamos em proximidade, em menos complexidade logística e no desenvolvimento de soluções mais compatíveis com os mercados, disse Gomes.
No Brasil, a empresa é a terceira maior vendedora de produtos de saúde animal, com participação de 9% nos últimos 12 meses, disse.
O plano de expansão internacional é traçado em um momento em que a empresa tem crescido acima da média do segmento. No primeiro semestre, a receita da companhia subiu 31,3%, puxada por vendas para a pecuária, o mercado pet e nas operações internacionais. Em 2025, a receita líquida foi de R$ 1,2 bilhão, alta de 19,5%.
O segmento de saúde animal vem crescendo acima da média no agronegócio. O desempenho tem sido favorável na criação de bovinos com a recuperação dos preços do boi gordo, observou. No caso do frango, a situação é considerada razoável, enquanto na suinocultura, os produtores estão com prejuízo após investimentos terem ampliado a oferta.
Porém, as dificuldades na agricultura respingam no segmento.
Temos pecuarista que também tem agricultura, e a agricultura passou por dois anos difíceis, com restrição de crédito. Por mais que seja um momento positivo [na pecuária], às vezes o produtor fica mais seletivo nas suas compras.