Agronegócio

Paraná confirma quebra na safra de inverno devido ao clima

Autor: Por Carolina Mainardes — Ponta Grossa (PR) Publicado em: Fonte: Globo Rural
Paraná confirma quebra na safra de inverno devido ao clima
Foto: Arquivo pessoal

A queda na produção das culturas de inverno no Paraná foi confirmada nesta quinta-feira (29/10), em boletim divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral). Os dados indicam uma colheita de 2,84 milhões de toneladas de grãos no Estado, incluindo aveia, canola, centeio, cevada, trigo e triticale. O volume é 28% inferior as 3,9 milhões de toneladas registradas em 2025 - quando, em comparação, apenas a cultura do trigo respondeu por 2,88 milhões de toneladas.

A redução apontada nas estimativas de produção dos grãos de inverno já era esperada, conforme Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo do Deral. O recuo se deve às intempéries durante a colheita, um risco previsto desde a fase de formação do fenômeno El Niño no primeiro semestre do ano.

No caso do trigo, o rendimento inicial projetado em 54 sacas por hectare foi reajustado para 44 sacas/ha - ou 2,6 mil kg/ha. Conforme a análise conjuntural do Deral, a redução de 18% na produtividade estimada, aliada ao decréscimo de 12% na área dedicada à cultura, resultou em uma produção esperada de 1,9 milhão de toneladas. O montante é 34% inferior ao obtido em 2025 (2,88 milhões de toneladas). Além da menor quantidade, a qualidade inferior do cereal também piora as restrições de oferta para a indústria moageira.

O risco relativo às intempéries durante a colheita confirmou-se com o excesso de precipitação pluviométrica verificado na maioria das regiões do Estado, afetando principalmente os cultivos tardios
, explica Godinho. Atualmente, 88% da área estimada foi colhida.

O produtor Thomas Salomons, de Arapoti (PR), relata que houve uma quebra de ao menos 30% na sua safra de trigo deste ano, em comparação ao ciclo anterior. Enquanto no ano passado o rendimento atingiu 4,5 mil quilos por hectare na propriedade, neste ano a média caiu para 3,1 mil kg/ha.

A safra foi bem complicada, devido ao El Niño teve muita chuva durante todo o ciclo do trigo
, comenta.

Ele também destaca a perda na qualidade do cereal, com lotes para comercialização classificados com tipos abaixo da qualidade exigida pela indústria ou até mesmo fora de tipo, o que mostra queda nos parâmetros avaliados, gerando queda significativa de preço.

Da mesma maneira, o produtor Marinus Hagen Neto, que cultiva grãos em 300 hectares distribuídos em fazendas em Arapoti e no município vizinho de Jaguariaíva (PR), afirma ter redução de produtividade e de qualidade, principalmente do trigo plantado mais tarde. "O potencial produtivo e a qualidade ficaram muito comprometidos", comenta.

Marinus conta que a produtividade nas lavouras semeadas antecipadamente atingiu 4,4 mil kg/ha, enquanto o trigo plantado mais tarde fechou em 3,2 mil kg/ha, bem abaixo do esperado. Além disso, os lotes para comercialização também foram classificados com tipos mínimos da qualidade exigida ou foram considerados fora de tipo. "Acabou perdendo muito o valor agregado", lamenta.

Cevada

Conforme o Deral, a cultura da cevada também apresenta perdas expressivas. Em razão do ganho de área verificado neste ciclo (+23%), estimava-se produção recorde, acima das 500 mil toneladas colhidas em 2025. Contudo, a estimativa atual projeta uma colheita de 492 mil toneladas, representando uma retração de 2% em relação à safra anterior.

Até o momento, 54% da área plantada já foi colhida, com registros de perdas qualitativas nos grãos menos expressivas que as de trigo. No caso dos produtores Thomas Salomons e Marinus Hagen, a cevada obteve melhores resultados no campo, com colheita anterior à do trigo e grãos obtendo classificação para malte.

Os demais cereais acompanhados pelo Deral (aveia, centeio e triticale) também registraram perdas de produtividade e redução de área, resultando no encolhimento da oferta no Estado.

A canola figurou como a única exceção positiva entre as culturas de inverno, visto que a ampliação significativa da área cultivada compensou os prejuízos de produtividade, duplicando o volume ofertado no Paraná
, informa o boletim.