Agronegócio

Pesquisa desenvolve método à base de açúcar para extrair cafeína da casca do guaraná

Autor: Por Marcos Fantin — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
Pesquisa desenvolve método à base de açúcar para extrair cafeína da casca do guaraná
Foto: Canva/ Creative Commoms

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um método que utiliza uma mistura à base de açúcares e outros compostos naturais para extrair das cascas das sementes do guaraná substâncias como cafeína e antioxidantes.

Além de substituir os solventes tóxicos tradicionais, a nova estratégia promete reduzir significativamente o tempo de preparo e o consumo de energia durante o processo de produção, segundo informações da Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

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O trabalho foi publicado na revista Innovative Food Science & Emerging Technologies e contou com a participação de pesquisadores da Universidad Politécnica de Madrid e do Instituto de Investigación en Ciencias de la Alimentación, ambos da Espanha, além da Universidad de la República, do Uruguai.

A casca do guaraná é frequentemente descartada após a colheita, porém é extremamente rica em guaranina (alcaloide quimicamente idêntico à cafeína), e em polifenóis valorizados pela indústria de cosméticos e bioprodutos, como a catequina, a epicatequina e a procianidina B2.

Normalmente, os solventes usados para a extração desses compostos são voláteis e tóxicos, como o metanol. Segundo a Agência Fapesp, outras substâncias provenientes da indústria do petróleo também precisam ser removidas na etapa final do processo. Com a nova formulação proposta pelo grupo da Unicamp, o extrato produzido com a casca da semente do guaraná sai pronto para ser utilizado pela indústria.

Para isso, foram usados insumos renováveis, como o 1,3-propanodiol (produzido principalmente por meio da fermentação do açúcar do milho), a glicose (gerada durante a fotossíntese das plantas) e o ácido cítrico (que pode ser obtido, por exemplo, da fermentação do melaço da cana).

Segundo Felipe Bragagnolo, pós-doutorando na Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA-Unicamp) e primeiro autor do artigo, um dos principais diferenciais do estudo foi testar um solvente à base de açúcar eficaz que extrai bem os compostos da casca da semente do guaraná e dispensa a última etapa, que seria a retirada de solventes potencialmente tóxicos.

Desse modo, conseguimos reduzir o consumo energético, facilitando o processo e, ao mesmo tempo, mantendo os benefícios proporcionados pelas substâncias utilizadas na formulação do solvente
, afirma o pesquisador.

Importância da casca

O Brasil produziu em 2025 cerca de 2.460 toneladas de sementes de guaraná, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A semente representa só entre 15% e 20% do peso total do fruto fresco; os outros 80% ou 85% correspondem à casca avermelhada e ao casquilho. A pesquisa busca fomentar o reaproveitamento desse alto volume de casca na bioeconomia.

A cafeína e os compostos fenólicos do guaraná têm várias potencialidades. Por isso, um produto desenvolvido com um tipo de solvente que também possa ser considerado como um aditivo para a formulação final pode ir justamente ao encontro dessa tendência do mercado. Além disso, também temos a questão da biodiversidade, já que o guaraná é nativo do Brasil
, avalia Bragagnolo.