Agronegócio

Presidente da Embrapa destaca avanço feminino na ciência

Autor: Por Maria Emília Zampieri — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
Presidente da Embrapa destaca avanço feminino na ciência
Foto: Rogerio Vieira/Valor

"É preciso preparo, mas também confiança para assumir desafios". A avaliação é de Silvia Massruhá, presidente da Embrapa e primeira mulher a ocupar o cargo em mais de 50 anos de história, durante o evento o Agro é Delas, na manhã desta terça-feira (20/10), no painel "O momento agro é ciência".

O encontro, realizado pela Globo Rural, reúne lideranças femininas que transformam e inspiram o agronegócio brasileiro em diferentes áreas, das fazendas à indústria, para avançar no entendimento sobre oportunidades e desafios no setor, para que cada vez mais mulheres ocupem cargos decisórios.

Silvia cita a própria experiência e trajetória profissional para assinalar que o fortalecimento da autoestima profissional é fundamental para ampliar a presença feminina em posições estratégicas.

Quando me candidatei ao meu primeiro cargo de gestão, concorri com quatro colegas homens, enquanto algumas mulheres se inibiram e nem se candidataram. Mas eu já pensava: eles podem ter propostas e visões diferentes, mas as minhas são igualmente válidas
, relata.

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A executiva lembra que foi inspirada por lideranças femininas fortes na família, principalmente sua avó e mãe. E celebra ter sido surpreendida recentemente quando a filha comentou que se inspira nela na própria carreira.

Independentemente do gênero, busco demonstrar que é preciso ter segurança e buscar capacitação. O conhecimento é a chave para conquistar espaço. Como mãe de duas mulheres e como primeira presidente mulher na Embrapa, tenho responsabilidade de inspirar futuras gerações
, destaca.

Minoria na pesquisa

Embora a participação feminina venha crescendo, as mulheres ainda representam 33% do quadro de pesquisadores da Embrapa.

Para a presidente, alcançar um equilíbrio maior depende de uma transformação cultural de longo prazo. Ela avalia que muitas mulheres ainda enfrentam pressões ligadas à conciliação entre diferentes papéis sociais, o que pode dificultar a busca por cargos de liderança.

Historicamente, a sociedade associou ao homem o papel de provedor. Hoje vemos uma evolução para uma mulher cada vez mais independente e capacitada, mas esse processo leva tempo
, observa.

Tendência global

A experiência internacional da presidente reforçou sua percepção de que o reconhecimento profissional das mulheres está avançando em diferentes regiões do mundo.

Durante viagens oficiais à Ásia, ao Oriente Médio, à Europa e à América do Norte, ela encontrou exemplos que contrariaram estereótipos. Na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, por exemplo, chamou sua atenção a presença de mulheres em cargos ministeriais com participação ativa e respeitada nas discussões.

No Japão, relata que o respeito estava associado à função exercida, independentemente do gênero. Já na China, visitou uma universidade agrícola onde uma das principais referências acadêmicas era uma professora amplamente reconhecida por alunos e visitantes.

Comunicação e diversidade

Silvia também destaca que a participação feminina tem contribuído para transformar a ciência e a gestão dentro da Embrapa. Segundo ela, habilidades ligadas ao diálogo e à comunicação favorecem a interação com diferentes públicos e ajudam a fortalecer a pesquisa agropecuária.

Ela lembra que, no passado, tanto no campo quanto no ambiente corporativo, havia uma divisão mais rígida de funções entre homens e mulheres. Hoje, esse cenário vem mudando gradualmente.

Ao final, Silvia deixou uma mensagem para as mulheres que desejam crescer profissionalmente:

Mulheres precisam se unir, se fortalecer e assumir o protagonismo. Independentemente da área de atuação, a capacitação e a confiança são essenciais para transformar carreiras, negócios e a sociedade.