Previsão do tempo: veja como fica o clima em novembro no Brasil
O mês de novembro será marcado por contrastes climáticos nas cinco regiões do Brasil, afirma Vitor Castilho, meteorologista da Tempo OK. No Sul e no Sudeste, a chuva repete o padrão observado em outubro, com volumes acima da média. Já no Norte e no Nordeste, acontece o contrário: precipitações abaixo do esperado.
Outra característica importante - e presente - são as temperaturas elevadas em um cenário influenciado, principalmente, pelo El Niño.
Novembro é um mês de transição, quando a estação chuvosa se consolida no Brasil central com o estabelecimento da monção sul-americana. Este ano, isso será fortemente modificado com o El Niño muito forte e que alcança seu máximo entre novembro e dezembro, diz o especialista à Globo Rural.
Apesar da previsão de temperaturas altas, os modelos meteorológicos não indicam a formação de ondas de calor nos próximos 30 dias. Segundo Castilho, o calor predomina em boa parte do território nacional, mas, com a alternância nos termômetros, não será persistente.
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Uma onda de calor exige temperaturas de, pelo menos, 5°C acima da média por cinco dias ou mais. No Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro, a tendência é de alternância entre picos de calor intenso e quedas de temperatura provocadas pela nebulosidade, chuva e passagem de frentes frias, o que reduz a chance de calor persistente. No centro-norte, o tempo segue muito quente durante todo o mês, mas ainda sem a configuração de uma onda de calor.
El Niño intenso
Para Castilho, o fenômeno será um dos principais destaques do mês, com previsão de atingir o pico entre novembro e dezembro, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). A agência americana estima alta probabilidade de que o evento se torne o mais intenso desde o início dos registros, em 1950.
No Brasil, o aquecimento acentuado das águas do Pacífico Equatorial altera a circulação atmosférica. O padrão favorece movimentos descendentes de ar sobre as regiões Norte e Nordeste, inibindo nuvens e contribuindo para déficit de chuva e calor. Por outro lado, a intensificação do jato subtropical e o escoamento de norte em baixos níveis transportam umidade da Amazônia ao Sul.
Esse padrão concentra a chuva no Sul, em Mato Grosso do Sul e no setor sul do Sudeste e dificulta o avanço das frentes frias para o interior.
Como fica o clima em cada região brasileira?
Sul
A previsão do tempo indica chuva acima da média em novembro, com os maiores volumes previstos para áreas do Paraná e para o noroeste e a parte central do Rio Grande do Sul. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), frentes frias avançam sobre a região e provocam instabilidade. Ainda assim, as temperaturas podem ficar entre 0,6°C e 1,5°C acima da média.
Sudeste
A região terá um mês de contrastes por causa do El Niño. Enquanto São Paulo, Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais vão registrar chuva acima da média, o norte mineiro e o Espírito Santo terão volumes menores. As temperaturas alternam entre picos de calor e quedas provocadas pela nebulosidade, chuva e passagem de frentes frias, destaca Vitor Castilho.
Centro-Oeste
A principal característica será a distribuição irregular da chuva. O Mato Grosso do Sul, por exemplo, favorecido pela passagem de sistemas transientes, concentra os maiores volumes, enquanto nos demais Estados a precipitação tende a ocorrer de forma desigual. As temperaturas ficam acima da média, com desvios que podem superar até 2ºC.
Norte
A previsão para a região Norte aponta volumes de chuva abaixo da média e déficit mais persistente no norte do Pará e no Amapá. A menor precipitação, em consequência, favorece a elevação das temperaturas. Em algumas áreas, como no sudeste do Pará e na região central do Tocantins, os termômetros ficam 2°C acima, alerta o Inmet.
Nordeste
De acordo com o meteorologista da Tempo OK, um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) deve atuar sobre a parte central e sul da região, inibindo a formação de nuvens e reduzindo as chances de chuva no interior. O cenário, aliado à baixa umidade relativa do ar, mantém as temperaturas elevadas.
O VCAN também melhora as condições para a geração eólica na Bahia e na porção central da região. Na costa norte, a borda do vórtice, somada ao Atlântico mais aquecido que o normal, favorece instabilidades e pancadas de chuva, mas pode perturbar os ventos nessa faixa litorânea, explica.
Previsão do tempo: novembro tem calor e muita chuva no Brasil
Efeitos sobre o campo
A distribuição irregular das chuvas e as temperaturas acima da média previstas para novembro vão influenciar a agropecuária, provocando efeitos positivos em algumas áreas e negativos em outras.
No Sul, a instabilidade pode prejudicar as lavouras com culturas de inverno na fase final do ciclo, como canola e trigo, além de dificultar os trabalhos no campo e favorecer o surgimento de doenças fúngicas no arroz irrigado, diz o Inmet. Por outro lado, a umidade beneficia lavouras de soja e milho e as pastagens.
Para o Sudeste, a combinação de chuvas e temperaturas elevadas auxilia no crescimento da cana-de-açúcar, árvores frutíferas e pastagens. Já nas áreas agrícolas de Minas Gerais e do Espírito Santo, o café pode ser uma das culturas mais afetadas pelo déficit hídrico.
As chuvas acima da média no Centro-Oeste devem contribuir para recuperar a umidade do solo, anteriormente deficitária, e favorecer o desenvolvimento homogêneo da soja em Mato Grosso do Sul. Para Mato Grosso, a previsão é de que o calor e os volumes de chuva abaixo da média afetem o crescimento de diversas culturas.
O déficit hídrico na região Norte é um dos fatores que pode prejudicar as áreas produtoras de soja, principalmente no Pará e no Tocantins, devido à falta de umidade no solo. Em Rondônia, onde a chuva será acima da média, a expectativa é de que a condição contribua para o desenvolvimento do grão e das pastagens.
A soja deve ser uma das culturas prejudicadas pelos volumes de chuva abaixo da média no Nordeste. Entre os destaques positivos está o arroz irrigado: as lavouras podem se beneficiar com o maior período de radiação solar.