Produção de trigo em São Paulo pode crescer até 300 mil toneladas por safra
São Paulo tem potencial para ampliar a produção de trigo em até 300 mil toneladas por safra com a expansão da cultura sobre áreas hoje destinadas ao milho safrinha, afirmou Osvaldo Vieira, analista da chefia da Embrapa Trigo, durante o 11º Encontro da Cadeia Produtiva do Trigo de São Paulo, realizado nesta quinta-feira (24/9).
O cálculo considera a ocupação de apenas 10% da área de milho safrinha em regiões consideradas aptas para o cereal, a partir do planejamento agroclimático do Estado. Segundo Vieira, a expansão poderia acrescentar cerca de 89,8 mil hectares à área cultivada com trigo em São Paulo.
Existe um potencial de expansão muito grande para a cultura, isso potencializado com a genética e com as tecnologias disponíveis, afirmou.
Entre as regiões com maior espaço para crescimento estão Assis, com potencial de aproximadamente 37 mil hectares adicionais, Ourinhos, com 14 mil hectares, Presidente Prudente, com 13 mil hectares, e São Joaquim da Barra, com 8 mil hectares. Somadas, essas quatro regiões poderiam incorporar cerca de 72 mil hectares caso o trigo ocupasse 10% da área atualmente destinada à safrinha.
Nesse recorte, o aumento de produção seria de aproximadamente 222 mil a 237 mil toneladas, dependendo da referência de produtividade utilizada, estimou Vieira. Considerando todos os 89,8 mil hectares identificados no estudo, o especialista afirmou que o acréscimo poderia ficar entre 270 mil e 300 mil toneladas.
Presidente da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, Ruy Zanardi também destacou o espaço para o crescimento da triticultura paulista. Segundo ele, o Estado chegou a produzir cerca de 500 mil toneladas em 2023, recorde alcançado após um processo de organização da cadeia que ganhou força desde a reativação da Câmara, em 2012. Naquele momento, lembrou, a produção paulista estava ao redor de 90 mil toneladas e apresentava maior heterogeneidade de qualidade.
São Paulo tem a capacidade de produzir até 800 mil toneladas, é o maior mercado consumidor do país e absorve tranquilamente esse trigo sozinho, disse Zanardi. Ele ressaltou ainda a evolução da qualidade do cereal produzido no Estado e defendeu mais investimentos em pesquisa e logística para sustentar uma nova etapa de crescimento da cadeia.
Vieira avaliou que a expansão do trigo também depende de instrumentos capazes de reduzir os riscos da cultura. Segundo ele, o cereal precisa de tratamento diferente de commodities como soja e milho, sobretudo em razão da maior exposição a condições climáticas adversas.
Na safra 2025/26, a produção paulista do cereal foi estimada em 410,6 mil toneladas pelo IEA (Instituto de Economia Agrícola).