Que bolsa é essa? Acessório feito de fibra de bananeira de SC brilha na passarela de Milão
Engana-se quem pensa que a bananeira serve apenas para a produção de bananas. Em Corupá, no Norte de Santa Catarina, onde a produção da fruta chega a 170 mil toneladas por ano, de acordo com dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri), um projeto transformou fibras da planta em matéria-prima para a confecção de uma bolsa que conquistou espaço na Semana de Moda de Milão, na Itália.
Produzido com o pseudocaule, parte da bananeira antes tratada como rejeito agrícola, o acessório desenvolvido por alunos do curso de artesanato e integrantes do Coletivo Fibra Flor dentro do projeto cultural "Museu da Banana: valorização da bananicultura além do campo", chegou ao evento internacional por meio da parceria com a Pacoa e a Celeste, marcas brasileiras sustentáveis de calçado e moda praia, respectivamente.
O desfile na Semana de Moda de Milão aconteceu em 22 de setembro e foi organizado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Na ocasião, 10 empresas reconhecidas nacionalmente pela sustentabilidade no processo produtivo apresentaram coleções exclusivas na passarela a estilistas, compradores, jornalistas e outros profissionais do setor.
A Celeste, uma das selecionadas, mostrou, além de modelos com calçados confeccionados pela Pacoa, a bolsa feita a partir da fibra de bananeira.
Para Elfi Minatti Mokwa, agricultora, mestra-artesã e professora do curso, a participação do acessório em um dos principais eventos da indústria da moda mundial representa um reconhecimento do trabalho desenvolvido em Corupá (SC).
É um orgulho imenso ver o que é feito com as nossas mãos e a nossa história ganharem o mundo. Saber que a fibra, que um dia foi descarte, carrega identidade e preserva o nosso 'saber fazer,' é a maior recompensa de uma vida dedicada ao artesanato.
A designer Fabiana Bertoldi também destaca a importância da experiência e reforça o potencial da moda circular brasileira.
Trabalhar com a fibra de bananeira e conectar o nosso artesanato com marcas de moda praia e calçados sustentáveis, como a Celeste e a Pacoa, foi transformador. A bolsa mostra que o que fazemos tem sofisticação, propósito e lugar garantido no mercado global.
Bolsas são produzidas com parte da bananeira que antes era tratada como rejeito agrícola
Chayana Hoffmann de Souza/Divulgação
Mais detalhes sobre a bolsa
O acessório apresentado em Milão faz parte da coleção desenvolvida no Museu da Banana com design inspirado nas orquídeas nativas da região catarinense e no trabalho do Orquidário Alvim Seidel, localizado em Corupá (SC). O local, o segundo mais antigo do Brasil em atividade, completou 120 anos em 2026.
Roseli Siewert, presidente do Instituto Catarina Brasilis, mantenedor do Museu da Banana, explica à Globo Rural que a bolsa utilizada no desfile será vendida. O valor e outros detalhes do negócio, no entanto, vão ser definidos em breve.
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