Queda no desmatamento eleva peso do agro na descarbonização da economia
A queda de 52% na taxa de desmatamento do Brasil nos últimos três anos, com impacto no volume de emissões de gases do efeito estufa, elevou a importância do setor agropecuário nos esforços do Brasil para cumprir as suas metas ambientais assumidas no Acordo de Paris.
Durante painel apresentado no 10º Fazenda Sustentável, em São Paulo, nesta quarta-feira (30/9), a fundadora da ALG Climate & Natural Capital Governance, Ana Luci Grizzi, e o cientista e pesquisador em mudanças climáticas, Paulo Artaxo, destacaram as oportunidades e desafios que se apresentam diante do atual cenário.
O agro é apontado como responsável por 31% das emissões. Esse percentual era menos da metade disso há uma década. Portanto não há menor dúvida que o esforço de mitigação e adaptação climática vai ter que ser importante, destacou Artaxo.
O pesquisador ressaltou que a elevação da temperatura média global de 1,5º C é mais intenso em zonas continentais do planeta, podendo chegar a 4º C no Brasil nos próximos anos ainda que todos os países cumpram suas metas de descarbonização assumidas durante o Acordo de Paris.
Isso mostra que temos um desafio gigantesco de desenvolver novas técnicas agrícolas para tornar a nossa produção menos suscetível a grandes secas inundações e a uma temperatura que vai ser mais alta sem sombra de dúvidas, afirmou Artaxo.
Grizzi, por sua vez, ressaltou que é preciso um ambiente regulatório bem estabelecido para atrair investimentos para a adaptação do sistema produtivo nacional.
Se não tiver incentivo financeiro, os projetos não vão sair do papel. Mas se não tiver regulação e segurança jurídica, eu não atraio capital, lembrou a executiva.
Segundo ela, é preciso que os produtores estejam alinhados e cobrem do poder público a regulamentação do mercado de pagamento por serviços ambientais, em especial do mercado de carbono, aprovado em 2024.
O governo não vai fazer isso sozinho, ele precisa ser empurrado por vocês, alertou.