Regionalização sanitária evitará perda bilionária com doença de Newcastle
O Ministério da Agricultura estima que o reconhecimento da regionalização sanitária para os focos da doença de Newcastle identificados em Santa Catarina evitará perdas potenciais de quase US$ 1 bilhão por ano para os exportadores de carnes de aves. Isso porque a maioria dos países adotou restrição às importações apenas para a área afetada, nos arredores das granjas onde os focos foram detectados, sem afetar de forma generalizada as exportações.
O cálculo considera um cenário em que os países aplicassem, em 2026, as mesmas restrições adotadas em 2024, quando o primeiro foco da doença foi registrado em criação comercial no Brasil, em Anta Gorda (RS), em comparação com as medidas aplicadas após as negociações internacionais.
Segundo a Pasta, entre os mercados com maior impacto econômico potencial mitigado estão a China (US$ 485 milhões); a Arábia Saudita (US$ 293 milhões); e a Argentina (cerca de US$ 57 milhões). Também contribuíram para reduzir os impactos comerciais as medidas adotadas por parceiros como África do Sul, Jordânia, Cuba, Egito e Vietnã.
Por outro lado, os frigoríficos estimam que os bloqueios atuais, mesmo mais amenos do que em 2024, podem impactar o embarque de 30 mil a 40 mil toneladas por mês. Esse volume engloba a produção destinada à China e Chile por empresas de Santa Catarina e para Uruguai, México e Malásia, de unidades de todo o Brasil, principais embargos vigentes, segundo uma fonte.
A média mensal de exportação de frango é próxima de 500 mil toneladas. Se concretizado esse potencial, o efeito será de cerca de US$ 80 milhões por mês ou US$ 960 milhões em um ano. O cálculo não é definitivo, diz a fonte, pois as empresas conseguem realocar parte da produção.
Em nota divulgada ontem, o Ministério da Agricultura ressaltou que o trabalho desenvolvido nos últimos anos para ampliar o reconhecimento internacional da regionalização sanitária contribuiu para reduzir os impactos comerciais dos três focos da doença de Newcastle registrados em granjas de perus nas cidades catarinenses de Nova Itaberaba, Nova Erechim e Coronel Freitas, neste mês.
Após o foco em Anta Gorda, o governo negociou com importadores para limitar as restrições às regiões afetadas. Segundo a Pasta, a
estratégia segue os princípios de regionalização previstos no Código Sanitário para os Animais Terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal e busca preservar o comércio das demais regiões do país.
Restrições comerciais
O Ministério da Agricultura também divulgou a lista atualizada de restrições comercias aplicadas por conta da identificação dos focos em Santa Catarina.
As exportações de carnes de aves de todo o Brasil estão suspensas para Uruguai, México e Malásia. A suspensão dos produtos provenientes de Santa Catarina vale para China, Chile, Peru, Turquia, União Econômica Eurasiática (Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia), Paraguai e Uzbequistão.
A maior parte dos compradores restringiram as importações de produtos provenientes da área de restrição, que abrange os municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.
A medida vale para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Japão, União Europeia, Reino Unido, Coreia do Sul, Filipinas, África do Sul, Omã, Jordânia, Hong Kong, Egito, Argentina, Cuba, Vietnã, Canadá, Bahamas, Argélia, Namíbia, República Dominicana, Nova Caledônia, Tanzânia, Marrocos, Timor-Leste, Bolívia, El Salvador e Vanuatu.