Retirada de ostras no litoral do Paraná é liberada após suspensão devido a presença de toxinas
A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) confirmou, nesta sexta-feira (6/11), a liberação da retirada de ostras destinadas ao consumo humano nas áreas de cultivo da região do Cabaraquara, em Guaratuba, no litoral do Paraná. A atividade estava proibida desde 23 de outubro, devido à concentração de toxinas acima do limite permitido para o consumo humano.
A decisão ocorreu após novas análises laboratoriais apresentarem dois resultados consecutivos negativos para ficotoxinas marinhas, permitindo a retomada da atividade. A informação consta na Nota Técnica nº 05/2026, emitida pelo Departamento de Saúde Animal da Adapar. Segundo o documento, as concentrações das toxinas retornaram a níveis não detectáveis, atendendo aos critérios sanitários estabelecidos pela legislação vigente e permitindo a desinterdição da área.
Com a liberação, os produtores podem retomar a retirada das ostras nas áreas autorizadas e os consumidores podem voltar a adquirir os produtos provenientes desses cultivos.
As análises foram realizadas no âmbito do Programa Nacional de Moluscos Bivalves Seguros (MoluBiS), com laudos emitidos pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária.
A decisão representa um importante avanço para os ostricultores da região, especialmente após a repercussão da suspensão temporária, que gerou preocupação quanto aos impactos econômicos e à imagem de um produto reconhecido nacionalmente por sua qualidade e características diferenciadas.
Indicação Geográfica
As ostras do Cabaraquara conquistaram, em outubro de 2025, o reconhecimento de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).
O reconhecimento valoriza a tradição produtiva da região e as características particulares das ostras cultivadas na Baía de Guaratuba, conhecidas pelo sabor leve e adocicado.
Segundo informações da Secretaria Municipal da Pesca de Guaratuba, a suspensão temporária atingiu oito produtores da região do Cabaraquara. A produção local é estimada em aproximadamente 80 mil dúzias de ostras por ano, com maior volume de retirada e comercialização durante o verão e os períodos de feriados.
Para Elisangela Octaviano, diretora geral da Secretaria Municipal da Pesca, a liberação representa não apenas a retomada das atividades, mas também "um momento fundamental para restabelecer a confiança dos consumidores". A preocupação dos produtores, desde o anúncio da suspensão, esteve relacionada aos possíveis impactos da divulgação sobre a reputação das ostras do Cabaraquara, cuja qualidade e tradição foram determinantes para a conquista da Indicação Geográfica.
A Secretaria destaca que a suspensão decorreu de uma condição sanitária temporária, identificada por meio do monitoramento oficial, e que os novos resultados laboratoriais confirmaram o restabelecimento das condições necessárias para a retirada nas áreas liberadas.
Além da importância econômica, Elisangela ressalta que a retomada da retirada e comercialização das ostras tem significado especial para as famílias que vivem da atividade e para os estabelecimentos gastronômicos que trabalham com o produto. Parte dos produtores da região mantém restaurantes próprios, nos quais as ostras do Cabaraquara representam um dos principais atrativos da gastronomia local.
Monitoramento sanitário
De acordo com a Adapar, o monitoramento sanitário das áreas de cultivo continuará sendo realizado regularmente, com coletas de amostras a cada 15 dias. As análises contemplam a identificação de ficotoxinas marinhas, a avaliação de indicadores de contaminação microbiológica, como a bactéria Escherichia coli, e a identificação de microalgas potencialmente nocivas presentes na água de cultivo.
O acompanhamento permite detectar precocemente eventuais alterações ambientais e sanitárias, contribuindo para a proteção dos consumidores e a continuidade segura da atividade produtiva.