Agronegócio

Retirada de ostras no Paraná é suspensa por toxinas acima do limite

Autor: Por Carolina Mainardes — Ponta Grossa (PR) Publicado em: Fonte: Globo Rural
Retirada de ostras no Paraná é suspensa por toxinas acima do limite
Foto: Pablo Aqsenem/Adapar

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) determinou a suspensão temporária da retirada das ostras destinadas ao consumo humano, devido à concentração de toxinas acima do limite permitido, em áreas de cultivo no município de Guaratuba, no Litoral do Paraná. O produto, conhecido como ostras do Cabaraquara (região de Guaratuba), conquistou em outubro de 2025 a Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), na modalidade Indicação de Procedência (IP).

A decisão da Adapar foi tomada após análises laboratoriais identificarem concentrações de ficotoxinas do grupo do ácido okadaico acima do limite máximo recomendado para consumo humano. As informações constam na Nota Técnica 03/2026, do Departamento de Saúde Animal da Adapar, divulgada em 23 de outubro, e são válidas até o momento. Os resultados foram obtidos no âmbito do Programa Nacional de Moluscos Bivalves Seguros (MoluBiS).

Segundo a Adapar, a substância é uma toxina produzida pela microalga Dinophysis, que pode se acumular em moluscos bivalves, como ostras, mexilhões, vieiras e berbigões. O consumo de produtos contaminados pode causar intoxicação alimentar, com sintomas como diarreia, náuseas, vômitos e dores abdominais.

Ostras com IG

Elisangela Octaviano, diretora geral da Secretaria Municipal da Pesca de Guaratuba, comenta que a medida de suspensão abrange oito produtores da região do Cabaraquara. Além disso, famílias que desenvolvem atividades extrativistas na Baía de Guaratuba estão recebendo orientações preventivas sobre a suspensão da retirada e comercialização dessas ostras.

A estimativa da secretaria é de que a produção local seja de aproximadamente 80 mil dúzias anuais de ostras na região. O maior volume de retirada ocorre durante o verão, período em que também é registrado o maior consumo do molusco, seguido dos feriados, conforme Elisangela.

Não temos dados consolidados para estimar o volume de ostras que seriam comercializados nesse período específico de suspensão
, explica.

Em conjunto com os produtores, o município teme que a divulgação da suspensão possa gerar um comprometimento da reputação do produto.

Conquistamos a IG devido à qualidade e ao sabor das nossas ostras, fruto da seriedade com que os produtores atuam, sempre primando por oferecer um produto saboroso e saudável, sem representar riscos à saúde
, afirma a diretora.

Ela ainda comenta que a presença da microalga encontrada nas análises da Adapar está relacionada a condições ambientais, como os volumes excessivos de chuvas registrados nos últimos meses. Sem dados precisos, a diretora afirma que os ostreicultores buscam alternativas de renda para o impacto financeiro causado pela suspensão da retirada das ostras.

Elisangela observa que boa parte dos produtores de ostras da região possuem seus próprios restaurantes e estão indicando outras opções, como pratos à base de camarão e pescados, durante esse período.

Segundo o Inpi, as ostras de Cabaraquara têm sabor leve e adocicado, sendo a ostreicultura a principal atividade econômica realizada na área geográfica, considerada um santuário ecológico. A área está delimitada pela Baía de Guaratuba, tendo como limite as escarpas da Serra do Mar, a Oeste, e o Oceano Atlântico, a Leste, com extensão de 50,19 quilômetros quadrados.

As ostras de Cabaraquara têm sabor leve e adocicado

Pablo Aqsenem/Adapar

Medida sanitária

Segundo o veterinário Cláudio Cesar Sobezak, chefe da divisão de Sanidade dos Animais Aquáticos da Adapar, a região será monitorada periodicamente até que os níveis de toxinas voltem à normalidade e a população possa consumir esses moluscos de forma segura. O veterinário ainda alerta os consumidores sobre a comercialização clandestina das ostras.

A população deve evitar comer esses moluscos, pois as pessoas podem se contaminar também e passar por uma situação de saúde indesejável
, adverte.

A suspensão vale para as áreas oficialmente identificadas nos atos de interdição e permanece vigente até que os resultados do monitoramento laboratorial e os procedimentos de desinterdição previstos na legislação permitam a retomada da atividade. As demais áreas de produção monitoradas continuam sujeitas à avaliação sanitária regular e a situação de retirada de cada uma depende dos resultados oficiais do programa.