Agronegócio

'Robôs queijeiros' viram, limpam e cuidam de queijos no RS

Autor: Por Mariana Letizio — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
'Robôs queijeiros' viram, limpam e cuidam de queijos no RS
Foto: Aldo Toniazzo

(Ao mesmo tempo que mantém a tradição da receita italiana, a RAR Gastronomia, unidade de negócios da RAR Agro & Indústria, de Vacaria (RS), usa robôs importados da Itália para padronizar a produção dos queijos tipo Grana. Em atividade desde 1999, os "robôs queijeiros" autônomos trabalham nas câmaras de maturação ao lado dos funcionários e realizam a movimentação e a limpeza das 32 mil formas durante o processo.

De acordo com Angelo Sartor, CEO da RAR Agro & Indústria, as máquinas auxiliam uma vez que cada peça sai da fábrica pesando 40 quilos e, ao longo desse período, perde peso com a redução da umidade. Além disso, atuam no processo de padronização dos produtos.

Robôs limpam, viram e cuidam de queijo

Da tradição italiana às prateleiras do Rio Grande do Sul

Sartor conta que, assim como o modo de produção, os equipamentos também vieram da Itália. Quando o projeto começou em Vacaria, no Rio Grande do Sul, não havia leite com as características necessárias para fabricar o produto nem uma estrutura capaz de reproduzir o padrão de produção italiano.

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Foi uma questão de empreendedorismo do Raul Randon. Alguém o convenceu de que poderia produzir um Grana Padano, o primeiro produzido fora da Itália, aqui em Vacaria
, conta o CEO.

Por questões de denominação de origem, Sartor explica que o produto brasileiro não pode usar o mesmo nome do italiano e, por isso, recebeu a denominação de "queijo tipo Grana". Segundo ele, desde o início, o processo buscou reproduzir as características do produto italiano.

Para viabilizar a produção, Randon precisou começar pela criação do gado. Ele viajou até Ohio, nos Estados Unidos, e trouxe dois aviões de vacas prenhas para o Rio Grande do Sul. A partir daí, também foi necessário estruturar a alimentação dos animais que, para esse tipo de queijo, não pode incluir pasto verde, já que isso alteraria as características do produto.

A alimentação precisa permanecer igual ao longo de todo o ano para garantir a padronização do queijo. Segundo Sartor, isso permite que uma forma produzida em janeiro tenha as mesmas características de outra fabricada em junho ou setembro, inclusive na coloração.

Para isso, foram construídos galpões de confinamento, além da estrutura de ordenha e do próprio laticínio. Como esse modelo de produção ainda não existia no Brasil, os equipamentos necessários também seguiram o padrão utilizado na Itália.

O robô na missão de padronizar a produção

Sartor explica que os robôs queijeiros fazem parte do processo desde o início da produção do queijo tipo Grana no Brasil. A tecnologia ajuda a não só manter o padrão de fabricação, mas também a qualidade inspirado no modelo italiano.

A produção ocorre diariamente. Como o queijo é feito com leite cru, o CEO explica que o leite não pode ser armazenado nem pasteurizado antes da fabricação. Por isso, a produção acompanha diariamente a disponibilidade do leite.

A maturação também exige cuidados específicos. As formas ficam apoiadas em prateleiras de madeira de pinho ou araucária, que não podem ter nós para não marcar o queijo. As peças permanecem nessa posição durante, no mínimo, 12 meses, e a madeira faz parte dos detalhes do processo de fabricação.

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Ao todo, sete robôs atuam na movimentação e na manutenção das formas. Dois colocam os queijos nas prateleiras, enquanto os outros cinco retiram as peças para realizar o processo de manutenção. Os equipamentos escovam tanto o queijo quanto a tábua onde ele está apoiado e, em seguida, viram a forma antes de recolocá-la na prateleira.

A frequência das viradas varia conforme o estágio de maturação. Até o quarto mês, os queijos passam pelo processo praticamente uma vez por semana. Entre o quarto e o oitavo mês, a frequência cai para cerca de duas vezes por semana. A partir do oitavo mês, as viradas ocorrem aproximadamente a cada 20 dias.

Sartor conta ainda que cada robô dos modelos mais novos consegue virar duas formas ao mesmo tempo.

Antigamente, quando iniciamos os robôs, cada um virava um queijo. Agora, o mesmo vira, ao mesmo tempo, dois queijos. Ele pega um na prateleira de cima e outro de baixo
, afirma

No ritmo da produção, o executivo estima cerca de 1,5 milhão de viradas de queijo por ano.

Então, um robô faz o trabalho de dois. A própria tecnologia vai evoluindo e dando mais agilidade ao processo
, diz.

A legislação brasileira e a manutenção

Além da padronização, Sartor afirma que os robôs também ajudam a atender às exigências da legislação de ergonomia. As prateleiras que armazenam os queijos são altas, enquanto cada forma recém-produzida pesa cerca de 40 quilos. Com a perda de umidade durante a maturação, o peso chega a aproximadamente 35 quilos.

Prateleira de armazenamento

Aldo Toniazzo

O trabalhador tem limitações de carga. No caso do homem, são 23 quilos que um homem pode carregar. Então, o robô faz esse papel, que é fundamental até para atender à legislação trabalhista que nós temos hoje, dentro do Ministério do Trabalho
, explica

As máquinas mais antigas continuam em funcionamento, embora apresentem produtividade menor em comparação com os modelos novos. Segundo o CEO, a manutenção e as adaptações permitem preservar a performance de cada equipamento dentro das limitações de seu modelo.

Parte das adaptações também ocorreu para atender às exigências da legislação trabalhista brasileira. Sartor afirma que, em algumas atividades, as regras no Brasil são mais rigorosas do que na Europa. Segundo ele, isso aumenta a proteção e a segurança dos trabalhadores.

Enquanto as máquinas mais antigas conseguem virar uma forma de queijo por vez, os equipamentos novos são capazes de movimentar duas simultaneamente, o que aumenta a agilidade do processo.

A expectativa, segundo Sartor, é que novos modelos sejam desenvolvidos no futuro com capacidade para virar três formas ao mesmo tempo, ampliando a agilidade da produção.