Ruiz Coffees pede recuperação judicial para dívida de R$ 775 milhões
Com dívidas da ordem de R$ 1,6 bilhão, a Ruiz Coffees, uma das maiores produtoras de café do país, entrou com pedido de recuperação judicial na Vara Regional Empresarial de Conflitos de São José do Rio Preto (SP).
O pedido ainda não foi deferido, mas o juiz Paulo Roberto Zaidan Maluf suspendeu por 30 dias as execuções de dívidas, proibiu credores de declararem vencimento antecipado e definiu como essenciais as sacas de café colhidas e os frutos pendentes. Com isso, mesmo credores fora da recuperação judicial não poderão arrestar ou penhorar café da Ruiz Coffees para quitar as dívidas.
O juiz também determinou que a Compasso Administração e Consultoria Empresarial faça a constatação prévia, que é uma verificação dos documentos e das condições reais de funcionamento das empresas do grupo, para decidir se aprova a solicitação ou se o grupo parte direto para a falência.
O pedido reúne as empresas JRF - Ruiz Holding, Administradora e Participações, Ruiz Coffees Armazéns Gerais, Ruiz Comércio, Indústria e Torrefação de Café, Agropecuária JBP, Agropecuária Ruiz, Agropecuária JRF, Auto Posto Central Bálsamo, e os produtores João Ruiz Lourenço, João Ruiz Lourenço Filho, Nathalia Ruiz Lourenço Petinelli e Elieth Ruiz Lourenço.
Da dívida total, R$ 775 milhões estão sujeitos à recuperação judicial e R$ 820,1 milhões ficam fora do processo, como as garantidas por alienação fiduciária. Os maiores credores são Caixa Econômica Federal (R$ 130,8 milhões), Vert Companhia Securitizadora (R$ 109,3 milhões) e Cooperativa de Crédito Sicoob Unicentro (R$ 77,9 milhões).
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Em relação à dívida sujeita à recuperação judicial, R$ 614 milhões são de credores quirografários (sem garantia real); R$ 160 milhões com garantia real; R$ 676,7 mil são dívidas com micro e pequenos fornecedores e R$ 230,8 mil são dívidas trabalhistas.
Grande parte das dívidas extraconcursais foi renegociada com os respectivos credores, disse Ricardo Prado, diretor financeiro do grupo. Sem dar detalhes, Prado afirmou que as negociações estão em "estágio avançado" e terão "cronogramas compatíveis com o ciclo de geração de caixa". As dívidas extraconcursais incluem débitos com bancos, tradings, cooperativas de crédito e Fiagros de gestoras, como Suno e Galápagos. Parte desses credores têm 3 mil hectares de fazendas da Ruiz Coffees em alienação fiduciária.
O grupo cultiva 7,5 mil hectares de café em Minas Gerais e na Bahia e possui armazém para 160 mil sacas em Piumhi (MG).
A área de café vinculada a operações de mercado de capitais é de cerca de 1,5 mil hectares. Os demais imóveis vinculados a essas operações, cerca de 1,1 mil hectares, são áreas de cana, sem café. Todas as áreas permanecem integralmente sob a nossa operação, disse Prado.
No pedido de recuperação judicial, o grupo alega que as altas taxas de juros, o aumento dos custos financeiros, eventos climáticos adversos e crescente restrição de liquidez no mercado de capitais pressionaram seu fluxo de caixa nas últimas três safras. Esse cenário agravou-se com a concentração do vencimento de operações estruturadas, que o grupo começou a acessar em 2021. O plano de recuperação deverá ser apresentado 60 dias após deferimento da recuperação.