'Sem medo de ser mulher': quem é a pescadora brasileira homenageada pela ONU
Foi orientada por uma freira que Joana Mousinho começou a sua luta pelos direitos trabalhistas das mulheres que atuam na pesca artesanal no Brasil. Natural de Itapissuma, em Pernambuco, ela atua na pesca desde os oito anos e foi a primeira primeira mulher do país a ser presidente de uma colônia de pescadores.
Homenageada pela ONU nesta quinta-feira (15/10), em Roma, como uma das 100 Mulheres Heroínas da FAO nos Sistemas Agroalimentares e no Desenvolvimento Rural, a pernambucana de 70 anos teve uma trajetória marcada por embates e desafios.
Um dos grandes desafios foi lutar pra não ser vingada dentro da colônia, foi enfrentar os usineiros por causa da poluição, os latifundiários para não deixar desmatar e aterrar os mangues, recorda.
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Dentre as principais conquistas, ela destaca o acesso a aposentadoria por pescadoras que casadas.
Foi muito difícil, pois alguns homens não aceitavam [a nossa liderança], porém o número de mulheres aumentava, relata a liderança. Uma das fundadoras da Articulação Nacional das Pescadoras, Joana segue na atividade até hoje.
Ela atribui o reconhecimento a todas produtoras rurais do país e revela a sua emoção com a homenagem.
Eu fiquei muito emocionada em receber o prêmio, entrar com a bandeira do meu Brasil foi muito lindo para mim, marcou muito. Estamos de parabéns, todas nós que recebemos o prêmio e que viemos até aqui a Roma e que fomos acolhidas pela FAO, destaca a pescadora.
Ao todo, a FAO recebeu mais de 600 indicações de mais de 131 países. Além de Joana, a líder indígena Luena Maria Ferreira dos Santos, Luena Pataxó, presidente da Associação dos Pescadores Indígenas Pataxó (Apip), em Santa Cruz Cabrália, no sul da Bahia, também foi homenageada pela FAO.
Eu me vi na pessoa de cada agricultora que veio receber o prêmio porque a luta delas é grande, são mulheres guerreiras, feito as pescadoras. Do mesmo jeito que elas dependem da terra para plantar e colher o fruto delas, nós dependemos dos estuários, dos rios, das lagoas, do mar, para 'colher' nosso produto, afirma Joana, orgulhosa da premiação.
Tenho orgulho de ser pescadora, ainda continuo pescando e o que me deixa feliz e me inspira é saber que pequena semente que plantei no passado nasceu, cresceu e hoje vem dando bons frutos. Sem medo de ser mulher, comemora a brasileira homenageada pela FAO.