Semana Internacional do Café deve movimentar até R$ 200 milhões
Às vésperas de completar 300 anos do plantio de café no Brasil, produtores, indústrias e importadores se reunirão em Belo Horizonte para discutir o futuro da cafeicultura, diante das mudanças climáticas e das transformações tecnológicas que impactam o mercado global. Representantes da cadeia do café participarão da 14ª edição da Semana Internacional do Café (SIC), que será realizada entre 11 e 13 de novembro, no Expominas, em Belo Horizonte, das 10h às 19h.
O evento vai reunir em torno de 200 marcas expositoras, contra 240 na edição anterior. A expectativa dos organizadores é que a feira movimente entre R$ 180 a R$ 200 milhões em negócios durante a feira, superando os R$ 150 milhões movimentados no ano passado.
Muitos negócios começam na SIC e são concluídos após o evento. Esse volume chega a quase triplicar de valor entre 6 a 8 meses após o evento, afirmou Caio Alonso Fontes, sócio da Espresso&CO.
O público esperado é de cerca de 28 mil visitantes nos três dias de evento, contra 25 mil na edição passada.
Em novembro de 2027 a gente celebra 300 anos de café no Brasil e optou por trazer uma construção de agenda global olhando para um horizonte onde o Brasil já tem essa presença de grande líder. A SIC vai ter mais de 150 palestras e bastante discussão sobre o legado do setor, mudanças climáticas, novas exigências do comércio internacional, transformações no consumo e avanços tecnológicos, afirmou Fontes.
O evento terá uma programação voltada a questões como produção e sustentabilidade, inovação, biotecnologia, genética, digitalização, novas formas de geração de renda para o produtor e transformações que impactam o mercado mundial.
Para falar sobre o cenário internacional, Vanusia Nogueira, diretora-executiva da Organização Internacional do Café (OIC) fará a palestra magna abordando o tema. Fontes disse que o evento vai receber em torno de 40 compradores internacionais de diferentes partes do mundo, incluindo Ásia, Europa e Estados Unidos.
A safra brasileira colhida em 2026 se consolidou como uma grande safra. Para o ano que vem também há previsão de uma boa safra, mas a verdade é que ninguém sabe como vai se concretizar devido à instabilidade do clima. E mesmo que não haja impacto do El Niño na produção doméstica, pode haver impacto em outros países produtores, com impacto em preços e no ritmo das vendas futuras, observa Fontes.
A safra 2026/27, colhida neste ano, está estimada em 67,6 milhões de sacas de café beneficiado, uma alta de 19,6% em comparação à safra de 2025, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado é influenciado tanto pelo aumento da área em produção e pela melhora na produtividade média nacional. Ainda não há estimativa oficial para a próxima safra, mas as notícias até o momento são de boa florada e chuvas favoráveis no Sudeste, que concentra a maior produção do café arábica.
As mudanças climáticas podem afetar a florada, o desenvolvimento dos frutos e a qualidade do café. Entre as respostas para dirimir esses efeitos estão o monitoramento climático, o melhoramento genético, a assistência técnica e práticas de agricultura regenerativa.
O produtor brasileiro demonstra capacidade de produzir com qualidade e incorporar tecnologia, mas precisamos garantir condições para que continue investindo. O desafio não é apenas alcançar uma safra expressiva, mas assegurar que esse resultado se traduza em renda e sustentabilidade para quem está no campo, observou Antônio de Salvo, presidente do Sistema Faemg Senar.
No comércio internacional, o setor enfrenta novos desafios com a regulamentação europeia contra o desmatamento (EUDR), por exemplo. Por outro lado, o setor tem oportunidade de crescer em novos mercados, como na Ásia. De janeiro a setembro, as exportações brasileiras de café ficaram praticamente estáveis (-0,2%) em relação ao mesmo período de 2025, somando 29,09 milhoes de sacas. Em receita houve recuo de 8,6%, para US$ 10,11 bilhões, segundo o Conselho Nacional dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
João Ricardo Albanez, secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, acrescentou que o setor precisa fortalecer a articulação para que os avanços tecnológicos e as oportunidades comerciais cheguem a produtores de diferentes perfis e regiões.
O mercado está se transformando, os pequenos negócios precisam acompanhar esse movimento. Nosso trabalho é apoiar esses empreendedores para que consigam se preparar, acessar novos mercados e transformar as exigências do setor em oportunidades de crescimento, disse Marcelo de Souza e Silva, presidente do conselho deliberativo do Sebrae Minas.
Semana Internacional do Café (SIC) deve receber cerca de 28 mil visitantes
Divulgação SIC
Além do foco em pequenos produtores, o evento também terá neste ano o Summit Mulheres, que integra as discussões do Ano Internacional da Mulher Agricultora. Entre os temas a serem abordados estão a liderança feminina, sucessão, gestão e empreendedorismo. "Vemos um crescimento da liderança feminina no café. E no último dia ocorre a premiação Florada Premiada, de cafés produzidos por mulheres.
Durante o evento, serão discutidos temas como competitividade, transformações do mercado, sustentabilidade, inovação. A programação engloba o Simpósio DNA Café, o Fórum da Cafeicultura Sustentável, Rodadas de Negócios, Salas de Cupping (prova sensorial de cafés) e premiações, como o Coffee of the Year, Espresso Design e Torrefação do Ano. No último dia, o evento será aberto ao consumidor final.
A SIC é realizada por Expresso&CO, Sistema Faemg-Senar, Sebrae e Governo do Estado de Minas Gerais, com apoio institucional do Sistema Ocemg.
O credenciamento já está aberto. Produtores com CNPJ ou código rural e cooperados Sicoob têm entrada gratuita. O credenciamento e outras informações sobre o acesso ao evento estão disponíveis no site oficial da SIC 2026.