Soja destinada à Índia é desviada para países asiáticos e vendida com desconto
Cerca de 11 mil toneladas de soja destinadas à Índia foram redirecionadas para outros mercados asiáticos e comercializadas com descontos após uma investigação alfandegária afastar compradores indianos, segundo a Reuters. As autoridades suspeitam que importadores tenham declarado incorretamente a origem dos grãos para evitar tarifas de importação.
As cargas, declaradas como originárias do Níger, seguiram para compradores no Vietnã, na Indonésia e em Bangladesh. As vendas ocorreram por preços entre US$ 470 e US$ 510 por tonelada, abaixo dos mais de US$ 650 negociados inicialmente com compradores indianos, segundo fontes do setor ouvidas pela agência.
A investigação começou após um aumento expressivo das importações indianas de soja com origem declarada no Níger. A suspeita é de que os grãos tenham vindo, na verdade, da Nigéria e recebido uma identificação de origem incorreta para obter isenção de impostos.
A Índia concede o benefício a países classificados como menos desenvolvidos, entre eles o Níger. Para liberar as cargas sem cobrança de impostos, as autoridades passaram a exigir documentos adicionais que comprovem a procedência dos grãos. Sem essa comprovação, os importadores terão de pagar uma tarifa de 45%, o que tem levado compradores a evitar o recebimento das mercadorias.
A fiscalização também mantém cargas retidas nos portos. Cerca de 60 contêineres, equivalentes a 1.500 toneladas de soja, continuam no Porto Jawaharlal Nehru (JNPT), perto de Mumbai, na Índia. As autoridades intensificaram as inspeções após um alerta interno enviado aos funcionários da alfândega no mês passado, informou a Reuters.
A Índia, quinto maior produtor mundial de soja, importou um volume recorde de 1 milhão de toneladas da oleaginosa neste ano, após uma safra ruim. As importações declaradas como originárias do Níger somaram 404.429 toneladas entre janeiro e agosto de 2026, ante nenhum volume registrado no mesmo período do ano anterior, segundo dados do Ministério do Comércio. O aumento chama a atenção porque o Níger não produz quantidades significativas de soja.