Solinftec levará seu robô autônomo brasileiro para lavouras da Espanha
A Solinftec, empresa de inteligência artificial e robótica aplicada à agricultura, desembarcou na Espanha, a partir de onde pretende dar seus primeiros passos na Europa. Por meio de uma parceria com o Centro Tecnológico Agrário e Agroalimentar (Itagra.ct), a companhia brasileira levou o Solix, seu robô autônomo que monitora e controla pragas, para uma fazenda em solo espanhol e já conta com uma rede de cerca de 50 fazendeiros que poderão conhecer suas funcionalidades.
A prioridade da Solinftec foi identificar uma porta de entrada na Europa que apresentasse convergência com as culturas que a companhia domina, como soja, milho e cana-de-açúcar, e atendesse as necessidades dos produtores locais, segundo Leonardo Carvalho, diretor global de estratégia da Solinftec . A região escolhida na Espanha foi Castela e Leão, importante centro agrícola do país.
Ele afirma que o país funcionará como um "hub europeu" para tornar a tecnologia mais adaptada ao continente. "Poderíamos sair vendendo, mas queremos deixá-la cada vez melhor", acrescenta.
De acordo com o executivo, o objetivo inicial é adaptar a atuação do Solix -- uma tecnologia brasileira desenvolvida inicialmente para as lavouras do Brasil -- ao clima e solo da Europa.
A IA (inteligência artificial) já funciona bem por lá, mas o solo e o clima são diferentes. Nosso banco de dados vai rodar por dois, três meses, e assim teremos a acurácia da detecção do que preciso para atuar na Espanha, diz.
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Os passos seguintes ainda não estão definidos, mas a Soliftec considera avançar para países ao redor da Espanha assim que o projeto ganhar corpo no país. Carvalho cita França, Alemanha e Itália como "boas oportunidades", mas não dá detalhes sobre os planos futuros.
Em sua avaliação, "por necessidade", o produtor brasileiro tem o melhor perfil para adotar tecnologia, enquanto agricultores europeus, em sua maioria mais velhos, não têm o mesmo perfil. Apesar disso, Carvalho acredita que a aceitação do Solix no continente será positiva.
O agro não é tech e pop por lá. Vamos estimular isso de certa forma, afirma o executivo.
Na Europa, por questões regulatórias, os produtores rurais têm uma necessidade urgente para encontrar alternativas ao uso de agroquímicos, exatamente onde o Solix atua, observa Carvalho.
A Solinftec fechou o ano de 2025 com R$ 450 milhões em faturamento e avalia que está a caminho de mais um ano de crescimento. Apesar de mudanças internas recentes, como as de Denis Arroyo, até então vice-presidente global, e de Henrique Nomura, ex-diretor de tecnologia, a companhia projeta alcançar um faturamento de R$ 470 milhões neste ano.