Agronegócio

Subvenção para o diesel importado cria 'assimetria' com o biocombustível nacional, diz associação

Autor: Por Rafael Walendorff — Brasília Publicado em: Fonte: Globo Rural
Subvenção para o diesel importado cria 'assimetria' com o biocombustível nacional, diz associação
Foto: Getty Images

O setor produtivo de biodiesel avaliou que a destinação de R$ 7,5 bilhões para subsidiar o diesel importado cria uma "assimetria" com o biocombustível nacional, cuja produção poderia ser mais estimulada em momento de dificuldade de abastecimento no país, e que a medida prejudica o setor.

O presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), Jerônimo Goergen, disse que a "distorção" de tratamento não é "justa". Com o subsídio aplicado no preço do diesel importado, o biodiesel perde competitividade, disse à reportagem.

O que está incomodando é investir dinheiro na importação de diesel fóssil e deixar de estimular a produção interna, gerando assimetria. Cada litro de diesel vendido nos postos tem 15% de biodiesel que não tem subsídio. Queríamos que fosse igual
, afirmou.

Ele afirmou que o diferencial apenas para um produto é injusto já que eles são vendidos juntos na bomba.

Poderíamos fazer mais barato ainda se colocasse o subsídio aqui dentro. Estamos sendo prejudicados nesse formato. O biodiesel paga imposto cheio e o diesel importado entra mais barato
, reclamou.

Goergen ressaltou que o setor não será "oportunista" e não vai defender a elevação do teor de mistura do biodiesel ao diesel fóssil, atualmente em 15%. Ele lembrou que as usinas concordaram em realizar testes para validar tecnicamente a adição do biocombustível em percentuais mais elevados que o atual. Os resultados preliminares deverão ser divulgados em novembro.

Tomamos a decisão de atender demanda dos consumidores, de mudar a imagem do biodiesel, de mostrar a qualidade do produto, e não vamos ser oportunistas para tentar aumentar a mistura a todo custo. Mas existe distorção que não parece justa
, apontou.

Goergen ressaltou que a capacidade de produção instalada nas usinas atende até 22% de mistura e que, "se o governo quiser", as empresas estão prontas para entregar. Por isso, o dirigente ainda vê espaço para aumento, de 15% para 17%, ainda neste ano, com os resultados dos testes.

Queremos que o consumidor reconheça valor do biodiesel e isso passa pela qualidade. Não vamos querer aproveitar a ocasião [para forçar elevação da mistura
, disse. Ele ponderou que uma eventual produção maior não seria solução completa para o abastecimento, mas ressaltou que, mesmo com as medidas de apoio à importação, há possibilidade de falta de combustível em breve.

Sem a elevação da mistura de biodiesel ao diesel de 15% para 17%, o setor deixa de esmagar 50 milhões de sacas de 60 quilos de soja, disse Goergen. O gasto com subsídios a fósseis também poderia ser de R$ 16 bilhões a menos.

O governo federal já contabiliza cerca de R$ 55,5 bilhões em medidas relacionadas aos combustíveis neste ano ante um ganho adicional de receitas com a alta do petróleo de cerca de R$ 50 bilhões.

Nesta sexta-feira (9/10), o governo federal concedeu subvenção adicional aos importadores de óleo diesel de uso rodoviário, que passarão a receber R$ 1,40 por litro por 30 dias. O valor se soma aos R$ 2,12 por litro já vigente.

O governo também zerou os tributos federais incidentes sobre a importação e a comercialização de gasolina por 30 dias. Foram zeradas as alíquotas de PIS/Pasep, Cofins e Cide-Combustíveis.

Os impostos federais haviam sido reduzidos em R$ 0,63 pelo decreto 13.116/2026, cuja vigência termina nesta sexta-feira. Agora, a redução alcança R$ 0,89 por litro.

Também foi prorrogada a desoneração ao etanol hidratado, de R$ 0,19 por litro. O governo ainda ampliou a subvenção econômica aos produtores de etanol, de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro.