Trigo cai em Chicago atento às ofertas do Mar Negro e Argentina
O mercado dos grãos "andou de lado" nesta sexta-feira na bolsa de Chicago. Em um pregão com oscilações tímidas, o trigo registrou a maior baixa na sessão. Os lotes para dezembro fecharam em queda de 1,34% nesta sexta-feira (6/11), para US$ 5,9125 o bushel.
Luiz Pacheco, analista da T&F Consultoria Agroeconômica, diz que as cotações caíram com as negociações em andamento para um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, dois dos quatro maiores exportadores de trigo do mundo.
Os dois países [Rússia e Ucrânia] têm um estoque de trigo na casa das 43 milhões de toneladas. É muito produto para ser jogado no mercado caso haja uma solução para garantir o escoamento mais fluido pelo Mar Negro, disse o analista.
Também há pressão de oferta para o trigo que é produzido no Hemisfério Sul, lembrou Pacheco.
A Argentina tem uma previsão de colher uma safra recorde, de 23 milhões de toneladas, bem acima da média histórica, de 19 milhões. Acho até estranho o trigo não estar caindo mais em Chicago diante dessa conjuntura, afirmou o analista.
Soja
O preço da soja registrou leve alta no último pregão da semana. Os contratos para janeiro de 2027 fecharam em alta de 0,46%, US$ 11,9375 o bushel.
A soja avançou em meio a ajustes técnicos, uma vez que o mercado ainda é pressionado pela expectativa de ampla oferta em 2026/27. Para os Estados Unidos, grande parte dos participantes aposta em aumento das previsões de colheita, que serão divulgadas na próxima semana pelo USDA.
Para os analistas, o departamento deve indicar uma produção de 125 milhões de toneladas, um recorde para os americanos e ainda acima das 124,15 milhões projetadas em outubro.
Milho
O milho também teve pouca oscilação com investidores se reposicionando antes de novas estimativas de oferta e demanda. Os contratos para dezembro avançaram 0,34%, a US$ 4,4150 o bushel.
O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulga na próxima semana suas projeções mensais para a safra no país. Analistas de mercado projetam uma colheita de 405,45 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, abaixo das 407,28 milhões estimadas em outubro.