Agronegócio

Venda de terra leva Brasilagro ao lucro no 1º trimestre da safra

Autor: Por Danton Boatini Júnior — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
Venda de terra leva Brasilagro ao lucro no 1º trimestre da safra
Foto: Divulgação

A Brasilagro encerrou o primeiro trimestre da safra 2026/27, de julho a setembro, com lucro líquido de R$ 81,3 milhões, uma melhora em relação ao mesmo período da temporada anterior, quando teve prejuízo de R$ 64,3 milhões. O resultado foi influenciado pela venda de parte da Fazenda Rio do Meio, em Correntina (BA), que compensou o recuo da rentabilidade das operações agrícolas, com a queda das margens do milho.

A receita líquida total do trimestre somou R$ 351,7 milhões, alta de 16% na comparação anual, segundo balanço divulgado pela empresa. Já a receita líquida operacional, que não considera a venda do ativo, ficou em R$ 300,9 milhões no período, praticamente estável na comparação anual.

A venda de parte da propriedade gerou um ganho de R$ 50,8 milhões, segundo a Brasilagro. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado cresceu 47%, a R$ 94,6 milhões. Excluindo o lucro com a alienação do ativo, o Ebitda ajustado das operações foi de R$ 43,8 milhões, redução de 32%. Já a dívida líquida ajustada ficou em R$ 136,3 milhões, 51% de queda em relação ao trimestre anterior.

Somos uma empresa anticíclica. Há momentos em que você tem que estar vendendo mais, [há] momentos [em que estamos] comprando menos. Somos agora uma empresa mais compradora do que vendedora, mas nós estamos fazendo venda, não deixamos de fazer. Aparecendo oportunidades como essa [da venda de parte da Fazenda Rio do Meio], vamos seguir fazendo
, defendeu André Guillaumon, CEO da Brasilagro, em entrevista coletiva.

Diante do acirramento do El Niño, que provoca distribuição irregular de chuvas, a Brasilagro ajustou seu planejamento para a safra 2026/27, com diferentes impactos conforme cada região produtora.

Em suas áreas em Mato Grosso, o plantio da soja avançou e já alcança 91% da área planejada. Na Bahia, a empresa antecipou a semeadura para reduzir o risco de falta de água durante o período de enchimento de grãos. No Maranhão e no Piauí, o ritmo está mais lento devido à irregularidade nas precipitações. A companhia também reduziu em 15% a área prevista inicialmente para o milho de primeira safra. Até o dia 22 de outubro, 49% da área prevista de soja havia sido semeada, um avanço de 17 dias em relação à safra passada.

Há um super El Niño instalado, mas começa a ter uma tendência de ter depois um La Niña com grande intensidade. Isso muda um pouco o jogo
, afirmou. A consequência, segundo ele, pode ser um "alongamento do período chuvoso", o que tende a beneficiar a colheita de inverno do ano que vem.

A Brasilagro revisou para baixo sua estimativa de produção de grãos e algodão em 2026/27 em 3%, para 493,3 mil toneladas. O volume é 3% superior à última safra. Para a soja, a estimativa é de 261,2 mil toneladas. Para a cana-de-açúcar, a empresa espera colher 2,06 milhões de toneladas.

Até 27 de outubro, a empresa fixara as vendas de 59% da soja esperada (com preço médio de US$ 12,26 o bushel), 52% do algodão e 32% do milho. Além disso, a companhia tinha contratado 94% dos fertilizantes previstos para a safra e 76% dos defensivos.

Guillaumon acrescentou que, no mercado de terras, há hoje mais liquidez na Bahia e menos em Mato Grosso. Ele não espera uma queda expressiva nos preços das terras, e avalia que a recuperação da soja e do câmbio manterão os produtores capitalizados.