Vitória de Flávio pode ser positiva para logística do agro, mas há temor sobre iniciativas sustentáveis, dizem fontes
Uma eventual vitória do candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, poderia resultar em avanços para projetos logísticos importantes para o setor agropecuário, mas tende a tornar o cenário mais desafiador para o segmento de biocombustíveis, além de pouco relevante para o mercado de máquinas agrícolas. A avaliação é de fontes do setor que falaram sob condição de anonimato.
Para investimentos logísticos, há a percepção de que um governo de Flávio Bolsonaro buscaria acelerar a implementação, entre outros projetos, da ferrovia Ferrogrão, que deve ligar Mato Grosso ao Pará, mas enfrenta resistências de ambientalistas e indígenas, disse uma fonte.
Ela também vê perspectiva de maior reforço ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que nos últimos anos sofreu cortes em seu orçamento.
Em contrapartida, há perspectiva de maior dificuldade para elevar as misturas de biocombustíveis em combustíveis fósseis. Hoje, está em vigor uma mistura de 32% de etanol (oriundo da cana-de-açúcar e do milho) na gasolina e de 15% de biodiesel (à base de óleo de soja) no diesel. Pelo planejamento do governo até então, se considerava elevar a mistura do etanol na gasolina para 35%, por exemplo.
Uma eventual administração de Flávio Bolsonaro tende a permitir que os biocombustíveis disputem espaço livremente com os combustíveis fósseis, sem subsídios para nenhum dos lados nem mandatos obrigatórios.
A falta de previsibilidade de mandatos, avalia uma fonte, pode ser prejudicial para investimentos feitos nos últimos anos por empresas do setor.
No setor de máquinas agrícolas, o fator "psicológico" pode afetar positivamente a postura dos agricultores que são, em sua maioria, ligados à direita, assim como Flávio Bolsonaro, e contribuir para as vendas, de acordo com uma fonte do segmento. Ela ponderou, no entanto, que o principal fator que rege os investimentos dos agricultores em máquinas é o preço das commodities, que por sua vez dependem mais do clima do que do governo.
Juros
Outros reflexos da eleição que podem reverberar no setor de maquinário agrícola são o câmbio e a taxa de juros, disse a fonte. O dólar caiu mais de 4% nesta segunda-feira (5/10) e opera abaixo dos R$ 5,00. O dólar em baixa é ruim para o produtor, já que as commodities são cotadas na moeda americana nas bolsas internacionais. Isso pode significar menor receita para o produto em reais
Por outro lado, se a taxa Selic recuar, o agricultor poderá se beneficiar com melhores condições para pegar empréstimos e financiar máquinas, continuou a fonte. Uma das fontes observou, ainda, haver um temor também quanto a possíveis interrupções de programas ligados a temas de sustentabilidade, como a Plataforma Agro Brasil + Sustentável, de monitoramento e compartilhamento de informações sobre produtores rurais e empresas, criados para atender à crescente demanda internacional por transparência e rastreabilidade dos produtos brasileiros ao longo de toda a cadeia produtiva.
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