Foto: Leandro Balbino/Canal Rural Mato Grosso

No Pantanal, a pecuária não enfrenta apenas períodos de seca, a atividade convive, historicamente, com o ciclo natural das cheias e da estiagem, que transforma completamente a paisagem ao longo do ano.

Em meio a esse cenário desafiador, produtores investem em melhoramento genético e estratégias de manejo para garantir produtividade sem romper o equilíbrio com o bioma.

À frente do trabalho no Nelore Cometa, Francisco Maris Cruz destaca que a chave da produção pantaneira é adaptação. “No Pantanal, temos duas estações muito distintas: a das águas, que forma um verdadeiro mar, e a da seca. É preciso se adaptar ao ciclo, não ir contra a natureza”, afirma.

Manejo ajustado ao ciclo das cheias

Durante o período de inundação, parte das áreas de pastagem fica submersa. As vacas adultas conseguem se alimentar mesmo com água acumulada, mas os bezerros sentem mais os impactos, especialmente nos cascos.

Segundo Cruz, para minimizar perdas e manter o desempenho do rebanho, a propriedade adota a técnica de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), programando os nascimentos entre agosto e outubro. Assim, é possível realizar a desmama precoce em janeiro e fevereiro, antes do pico das cheias.

Os machos seguem para fazendas, são confinamento e posterior são levados aos frigoríficos. Já as fêmeas passam por recria e entram em protocolo de fertilização precoce, com cerca de 14 meses. Depois de prenhes, retornam ao Pantanal para dar continuidade ao ciclo produtivo.

Rusticidade como critério central

A base genética do rebanho é da raça Nelore, reconhecida pela resistência e adaptação a condições adversas. A rusticidade é o principal critério de seleção.

Nas vacas consideradas mais frágeis, o produtor utiliza cruzamento industrial com Angus, buscando ganhos de desempenho sem comprometer a adaptabilidade. Segundo Cruz, atualmente, mais de 20 touros do plantel estão em centrais de inseminação.

A seleção prioriza animais capazes de suportar as cheias, manter desempenho reprodutivo e entregar produtividade em sistemas extensivos.

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