A discussão sobre a modernização da jornada de trabalho no Brasil ganhou novo capítulo, em Brasília. Nesta terça-feira (3), a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) se reuniu com a coalizão de frentes do setor produtivo, confederações e representantes da sociedade civil para debater o fim da escala 6×1.
O encontro contou com a participação de presidentes de confederações patronais e do sociólogo e professor José Pastori, convidado para analisar os possíveis impactos da medida nos diferentes setores da economia.
A mobilização busca dar mais visibilidade e transparência ao debate, que deve avançar no Congresso Nacional e é tratado como prioridade pelo governo federal.
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Estudo aponta geração de empregos
Um levantamento da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indica que a redução da jornada semanal de 44 horas para 36 horas pode gerar até 4,5 milhões de novos empregos no país, além de elevar em cerca de 4% os níveis de produtividade.
O estudo é usado por defensores da proposta como argumento para sustentar a mudança.
Impacto no agro e na indústria
Por outro lado, entidades do setor produtivo alertam para aumento de custos e dificuldades operacionais.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), por exemplo, sustenta que a redução da jornada para 40 horas geraria impacto de 9% nos custos operacionais. Caso a carga semanal caia para 36 horas, o impacto poderia chegar a 18%.
Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) se posiciona contra a proposta, argumentando que o setor opera de forma contínua, inclusive em atividades industriais.
No segmento de proteína animal, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirma que já existe um déficit de 30 mil trabalhadores. Segundo a entidade, seriam necessários mais de 100 mil profissionais adicionais para manter o volume atual de produção caso a jornada fosse reduzida para 40 horas.
Carta aberta e articulação política
O Instituto Pensar Agro (IPA) lidera uma carta aberta assinada por mais de 95 entidades, além de contar com apoio de confederações, parlamentares e representantes políticos.
A expectativa é que o tema avance nas próximas semanas no Congresso Nacional, ampliando o debate sobre os efeitos econômicos e sociais da proposta.
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