Uma tempestade de forte intensidade registrada na tarde de domingo no departamento de Alto Paraná, no Paraguai, provocou a formação de um tornado a cerca de 57 quilômetros de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná.
De acordo com a polícia e órgãos de prevenção e segurança da região, até a tarde desta segunda-feira (22) não havia registro de feridos nem de danos materiais significativos.
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O episódio reacende o alerta para a ocorrência de eventos extremos no Sul da América do Sul, especialmente após o tornado registrado há pouco mais de um mês em Rio Bonito do Iguaçu (PR), que deixou mais de 800 feridos e causou seis mortes.
Segundo o meteorologista Arthur Müller, o fenômeno está associado à atuação de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), sistema atmosférico que contribui para ondas de calor e canaliza grande volume de umidade da Amazônia em direção ao Paraguai e ao Sul do Brasil.
Esse cenário favorece a formação de tempestades severas, com potencial para granizo, rajadas intensas de vento e tornados.
Para que um tornado se forme, explica o especialista, é necessário um ingrediente essencial: o cisalhamento do vento, diferença de velocidade e direção dos ventos conforme a altitude. Esse tipo de condição é comum durante o avanço de frentes frias ou na atuação de sistemas de baixa pressão, frequentes na região paraguaia e no Sul do Brasil.
“O tornado é caracterizado pelo funil que desce da base da nuvem e toca o solo. O grande perigo está nas rajadas extremamente intensas e nos objetos que são arrastados, que passam a agir como projéteis, causando danos a estruturas, lavouras e colocando vidas em risco”, destaca Müller.
O meteorologista ressalta que tornados são relativamente comuns no Paraguai, no interior da região Sul do Brasil e no norte da Argentina. No entanto, a previsão desse tipo de fenômeno é limitada, os alertas indicam áreas de risco, mas o local exato só pode ser identificado com poucos minutos de antecedência, geralmente entre 20 e 30 minutos.
Chances dos temporais avançarem para o Brasil
Segundo Müller, até o momento, não há registro de danos no Paraguai, o que é considerado positivo pelas autoridades locais. No entanto, há possibilidade de que esses temporais avancem para o Brasil nos próximos dias.
De acordo com a análise das imagens de satélite, um canal de umidade segue transportando grandes volumes de chuva, especialmente em direção ao Rio Grande do Sul, elevando o risco de alagamentos e deslizamentos de terra.
No extremo oeste do Paraná, sobretudo nas áreas de divisa com o Paraguai, há, entre esta terça e quarta-feira, condições favoráveis para a formação de tornados. Ainda assim, o principal perigo associado a esses sistemas atmosféricos está relacionado ao chamado “rio atmosférico” que atua sobre o Rio Grande do Sul.
A previsão de chuva para os próximos dias aponta acumulados superiores a 100 milímetros no noroeste gaúcho, o que aumenta significativamente o risco de ocorrências hidrológicas. Assim, o maior alerta no momento não é a formação de tornados, mas sim o volume elevado de chuvas na região.
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