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A produtora rural Sandra Bogo, de São Miguel do Iguaçu (PR), relata prejuízos financeiros e emocionais após perder mais de 20 mil frangos em um aviário devido a falhas no fornecimento de energia elétrica. O caso ocorreu após sucessivas quedas de energia que comprometeram o funcionamento do sistema de ventilação da granja.

Em entrevista ao Mercado & Cia, a produtora afirmou que a perda ocorreu quando o lote de aves tinha 26 dias de idade, fase considerada crítica da criação. Segundo ela, o prejuízo estimado é de cerca de R$ 150 mil, valor que envolve custos compartilhados entre o produtor e a cooperativa.

Falhas de energia provocaram morte das aves

De acordo com Sandra, o problema começou por volta do meio-dia da terça-feira (3), quando ocorreram diversas quedas de energia relacionadas a um cabo rompido na rede elétrica. Durante as interrupções, o sistema chegou a ser desligado completamente.

“Mesmo que acione o gerador, com tantas quedas de energia chega uma hora que alguma chave ou equipamento estraga e para de funcionar”, explicou.

A falha comprometeu a ventilação do aviário, fundamental para manter a temperatura e a ambiência adequadas para as aves. Com calor e umidade elevados, bastaram poucos minutos para que a situação se tornasse crítica.

“Esses frangos estão desde o primeiro dia em temperatura controlada. Quando falta ventilação por meia hora ou quarenta minutos, já provoca tudo isso”, disse.

Oscilações de energia são recorrentes

A produtora afirma que problemas no fornecimento de energia têm sido frequentes nos últimos anos na região. Segundo ela, além das quedas, há constantes oscilações de tensão, o que tem causado danos a equipamentos da granja.

“Tem muitas quedas de energia, muita oscilação, tensão alta, tensão baixa. Isso força muito os equipamentos, os motores queimam.”

Sandra relata que a propriedade possui gerador e sistema de energia solar, mas que mesmo essas estruturas foram afetadas pelas oscilações na rede elétrica.

“Nós temos gerador, temos placa solar, e já estamos com cinco inversores das placas solares queimados por causa dessas oscilações”, afirmou.

Impacto emocional

Além das perdas financeiras, a produtora destaca o impacto emocional causado pela situação. Segundo ela, o trabalho na granja envolve planejamento, investimento e dedicação diária, o que torna o prejuízo ainda mais difícil de lidar.

“Isso mexe até com o psicológico. Você chega ali e vê aquela situação… é todo um trabalho, você coloca amor, cuidado, e não quer ver isso acontecer.”

A avicultora afirma que produtores rurais costumam ser resilientes diante das dificuldades, mas reforça que o problema poderia ser evitado com melhorias no serviço de energia.

“O agricultor não desiste. Se um lote não dá certo, ele vai lá e começa de novo. Mas a gente não está recebendo nem o serviço mínimo adequado que está pagando.”

Melhorias na rede elétrica

Sandra afirma que produtores da região costumam registrar reclamações e abrir protocolos junto à concessionária de energia e órgãos reguladores sempre que ocorrem problemas.

No entanto, ela acredita que a solução depende de investimentos na infraestrutura da rede elétrica.

“Tem lugares onde os fios têm praticamente 50 anos. Chega uma hora que não servem mais. É uma precariedade muito grande”, afirmou.

Copel

Em resposta às reclamações sobre falhas no fornecimento de energia no meio rural, a Copel afirma que parte das interrupções está relacionada a fatores climáticos e ao contato da vegetação com a rede elétrica.

Segundo o gerente-executivo de Base de Campo no Oeste da companhia, Carlos Eduardo Galina, cerca de dois terços das ocorrências registradas na área rural têm origem nesse tipo de situação. Ele afirma que a rede de distribuição é majoritariamente aérea e, por isso, fica mais exposta a ventos, tempestades e queda de galhos. “Nos desligamentos e interrupções no meio rural, pelo menos dois terços dos casos são gerados por contato da vegetação com a rede”, disse.

De acordo com o executivo, a concessionária tem reforçado ações de manutenção preventiva, como podas e roçadas, além de firmar parcerias com prefeituras, secretarias municipais e sindicatos rurais para reduzir ocorrências.

Galina também destaca que eventos climáticos extremos têm pressionado o sistema elétrico no estado, somente nos últimos três meses de 2025, ao menos 12 eventos climáticos severos atingiram o Paraná, incluindo um tornado registrado na região de Rio Bonito do Iguaçu, ressalta o executivo.

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